segunda-feira, 24 de março de 2008

MOMENTOS FELIZES


MOMENTOS FELIZES
Gracinda Calado


Aproveitando o feriado da semana santa, arrumei minha mochila e fui rumo ao meu passado...
Dizem que quando estamos tristes e vazios, devemos voltar à terra que nos viu nascer para recarregar as energias.
Foi o que fiz. Meu coração batia loucamente durante a viagem. Tudo era tão familiar, tão bonito! Finalmente cheguei ao meu destino.
A imagem de minha mãe me acompanhava em todos os meus passos.
Entro na rua que dá para a nossa antiga chácara, onde momentos felizes vivi com meus pais e meus irmãos, quando criança e adolescente.
Passo em frente ao colégio onde estudei, Colégio Maria Auxiliadora das irmãs salesianas.
Quantas recordações!
Há poucos passos encontro meu chão, minhas raízes estão lá! Olho aquele chão onde em noites de luar parecia uma grande lagoa azul dos contos de fadas.
Sinto o cheiro das flores e das rosas que minha mãe cultivava. Lá estava a pitombeira, a mesma velha árvore dos meus dias de criança e de felicidades, quando eu puxava seus galhos pesados de frutas pequeninas e doces!
Entro na casa sinto cheiro de minha mãe, que perfumava tudo que pegava. Seu perfume tinha o aroma dos bougarys, das violetas e dos jasmins branquinhos. Ela tinha o cheiro de Deus!
Lembrei-me de suas rosas “la france”, tão lindas e tão cheias de espinhos! Seus perfumes embriagavam, principalmente nas noites de primavera.
Vou a cozinha não vejo aquilo que nos atraía na hora do almoço: uma grande terrina de bacalhau português regado com bastante azeite para fazer o gosto de meu pai.
Que saudades! Saudades dos momentos de “serões” na varanda, onde meu pai contava histórias e a gente logo dormia.
Meu peito estava para explodir, prefiri sair um pouco para respirar.
O ar daquele lugar não é igual a outro qualquer! É puro, perfumado tem muito oxigênio, pois tem muitas árvores!
Ouço o barulho do rio que corre sem parar...
Sinto cheiro de mato fresco, de pardais, de frutas frescas, de sol, de cajá e de chuva caindo! Sinto o cheiro de terra molhada.
Cada vez mais me envolvo no passado distante e peço a Deus para me dar muita saúde para eu sempre voltar ao meu torrão natal!
Não vejo mais minha mãezinha, nem meu pai, eles já se foram! Para sempre.!
Que saudades da minha linda cidade Baturité!
Sei que ainda morrerei de saudades!

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