terça-feira, 1 de julho de 2014

VERDE- AMARELO

Gracinda Calado

Sou filha do verde,
do sol e do mar,
sou filho do azul,
da luz do luar!
Sou filho do ouro,
amarelo ideal,
sou filho da paz,
da fé imortal!

Eu sou brasileiro,

alegre a cantar,
sou índio guerreiro,
meu forte é lutar!

Na verde palmeira,
meu sonho deixei,
no galho da árvore,
dormi e sonhei!

domingo, 29 de junho de 2014

CANÇÃO PARA ANTONIÊTA

Gracinda Calado

Em um grande voo subiste para o céu!
Teus pés não alcançam mais o chão que tu pisaste em toda a tua vida.
Teu corpo não sente mais as impurezas da carne fétida.
Teu olhar se transformou em luz divina e teu sorriso em divinal pureza.
Sinto teu abraço apertado cheio de amor e luz.
Resplandece em ti a graça de Deus e o véu do universo em festa se abre para te receber.
As mãos de Deus se abrem para abraçar-te e envolver-te em esplendida eternidade.
Divino é teu sorriso cheio de esperança e muita paz!
O teu amor é maior que o vento que cobre o universo inteiro.

Já não vives comigo, mas existes para me proteger e eu viverei para sempre para te amar, minha mãe!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A ROSA AZUL

Gracinda Calado

Aquela rosa era azul, brilhava como as estrelas em noites de luar.
Às vezes causava inveja às outras rosas do jardim, pois seu perfume era inconfundível.
Nas noites de lua cheia ela surgia radiante e perfumada igual à flor jasmim.

Era uma rosa tão linda, da cor do céu e dos olhos de Maria, mãe de Jesus!
Às vezes eu ficava pensando nos mistérios da natureza, entendia como é belo viver, sentir o cheiro do mar, ver a luz das estrelas clareando a escuridão, ouvir o canto dos pássaros, o pio da coruja em noites de serração esquentando seus filhotes nos galhos secos com frio.

A natureza como a rosa azul, iluminava tudo ao redor do jardim, com sua cor diferente, seu perfume embriagava até o coração da gente!
A rosa azul era um mistério, uma rosa de rara beleza, suas pétalas eram mágicas e só se abriam em noites de lua cheia, para confundir as outras rosas que zombavam da sua cor.
A rosa azul era alegre, vibrante cheia de graça e de sedução!  

EMOÇÕES

Gracinda Calado

Vidas  feitas  de emoções,
Vibram  as cordas dos corações!
Momentos de dores  e amores,
De vidas revividas e perdidas,
Nas ilusões de cores, furta-cores.
Vidas de emoções e de canções,
Suores de  paixões descontroladas,
Caídas como bolas  enfeitadas ,
Destinadas às máscaras ocultas,
Enlouquecidas,  partidas e vividas,
No esconderijo da alma ardente,
De um vivente descontrolado e louco.
Emoções, canções e medos, orações,
Inquietude  que destrói o espírito  fraco,
Como se a noite envolvesse a calma,
A chama ardente da emoção que  lentamente
Arrasta a gente para o mais profundo   ser!
Emoção, define o som, a luz, a cor, o sentimento,
Apaga a dor, a paixão, o grande amor!
Carrega a gente  como um barco sem destino,
Sacode o coração como canção enlouquecida!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

FRAGMENTOS

(Gracinda Calado)

O coração é partido pela separação, enquanto o sangue escorre, fragmenta-se a alma pequenina!

Os sonhos são pesadelos no universo do cérebro confuso, repartidos em momentos. Depois voltam, são jogados ao vento, voam no ar perdidos em fragmentos.

No peito o pulsar febril da alma ardente, queima na chama de um amor mal resolvido.

Encontros de outrora, desencontros de agora, passam perdidos numa noite intensa...

Primaveras de ilusões e de paixões, loucuras, desafios, sonhos de um amor, perdidos no oásis da solidão.

Fragmentos de nós dois, de uma vida que se foi, de outra que ficou na saudade que será eterna de uma linda história de amor que mal começou!

Sigo meu destino, juntando os meus fragmentos, meus pedaços e sofrimentos, cada saudade é uma história.

Cada momento é uma vitória! Em cada canto uma saudade em cada olhar uma lembrança.

No leito das ilusões, nos braços da solidão, cada pedaço representa a vida que ficou pra trás, eu junto os cacos e os farrapos e recomeço uma nova  vida, uma nova história!


domingo, 15 de junho de 2014

ANTONIETA ALVES CALADO, MINHA MÃE!

HOJE, 14 DE JUNHO, ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DE MINHA MÃE, ANTONIETA ALVES CALADO.
NO PRÓXIMO ANO RELEMBRAREMOS SUA MEMÓRIA QUANDO FAREMOS A 2ª CONVENÇÃO DA FAMÍLIA CALADO, REVIVENDO OS 100 ANOS DE NASCIMENTO DE NOSSA MÃE.

ELA NASCEU NO DIA 14 DE JUNHO DE 1915.

SAUDADES DE MAMÃE!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

VEJO VOCÊ

Gracinda Calado

Vejo você, no  arco-íris que aparece no horizonte,
Na enseada do mar e nos barquinhos que se vão,
Na luz fosca do luar e na perfeita  escuridão.

Vejo você em cada  gota de água que cai da chuva ,
Vejo você no brilho do sol quando é verão,
Vejo você nas batidas fortes do meu coração.

Vejo você nos meus olhos embargados de chorar,
Vejo você na  brisa fria da noite de nós dois,
Vejo você no doce encantamento do luar.

Vejo você na alcova perfumada do meu quarto
Nos lençóis de cetim, enfeitados de organdi.
No abajur  lilás a te esperar com meu abraço..

Vejo você no azul do céu e nas estrelas,
Na canção dos menestréis das madrugadas
Nas ruas enfeitadas por onde andamos,

Vejo você no nascer do sol em meus cabelos,
Na brisa  quente  do vento em meu rosto nu
No vibrar mais forte do meu corpo inteiro.

terça-feira, 10 de junho de 2014

VIAJANTE DAS ESTRELAS

Gracinda Calado
(Para Aldemar Barros)
 
Viajante das estrelas, sei que és,
Não sei qual galáxia te escondes,Aldemar
Nessa amplidão mágica dos céus.
 
Deixaste um rastro luminoso
Quando partiste pra outros mundos,
Sem adeus, nem gesto amoroso.
 
Quisera encontrar esses lugares,
Mágicos, sutis, misteriosos,
Em que silenciosamente te escondes.
 
Malvado é meu cruel destino,
Sempre a te procurar em uma estrela,
Encontro-te num sonho pequenino.

NA FLOR DA PELE

Gracinda Calado

Na flor da pele um arrepio,
Na flor da pele um perfume,
Na flor da pele um gosto macio.

Um arrepio de teus beijos,
Um perfume de teu corpo,
Um gosto macio de teu suor.

Na flor da pele os desejos,
Na flor da pele o teu sangue,
Na flor da pele os teus beijos,

Um desejo de te abraçar,
Sentir teu sangue pulsar,
Na volúpia de teu amor.

Na flor da pele a ilusão,
Na flor da pele a emoção,
Na flor da pele a paixão.

A ilusão de saber teus sonhos,
A emoção de teus beijos quentes
A paixão de uma noite feliz.

Na flor da pele a tatuagem do teu amor,
Na flor da pele a minha grande emoção,
Na flor da pele a história do nosso amor.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

PRECISO FICAR SÓ


Gracinda Calado

Preciso ficar só na minha companhia.
Preciso ouvir a voz do meu coração,
Falar com ele, me abrir com ele,
Deixar cair as amarras da solidão.
 
Preciso ficar só comigo mesma,
Sentir que no meu interior tem vida,
Vida vivida de maneira egoísta e erma.
 
Preciso de mim mesma para descobrir
A força do amor que mora em meu peito,
Este amor triste, desconfiado, sem jeito.

Preciso ficar só, alçar vôos mais altos,
Chegar aos céus com minhas próprias asas,
Andar com os meus próprios pés no chão,
Deixar cair a máscara que cobre a decepção...
 
Preciso ficar só com meu pensamento,
Sentir a força do vento em meu corpo frio,
Beber na fonte do amor o meu alimento,
A essência da minha longa existência.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

COISAS QUE( NÃO) SÃO DITAS

GRACINDA  CALADO

Quantas coisas são ditas na solidão,
Quantos gritos são jogados pelo chão!
Quantas bocas abertas e coração fechado
Quantas palavras são ditas e malditas!

Quantos mistérios escondidos em um coração,
Quantos amores esquecidos e adormecidos!
Quantas dores que não escorrem sangue,
Quantos atos que não são verdades nem boatos!

Quantas amarguras em coração azedo,
Quantas glórias sem amores sem vitórias!
Quantos pecados escondidos abafados,

Quantos leitos destruídos derrotados!
Quantos corações feridos, partidos, humilhados
Somente em uma noite de horror e de traição!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A MÚSICA E A LUA.

Gracinda Calado

Gostaria que este texto fosse feito de música,
Com todos os tons e semi-tons que a música tem.
Gostaria que a música tocasse, quando a lua apontasse ao longe.
Uma canção suave, sairia dos sinos da igreja na hora da "ave-maria".

Tocaria um concerto com a orquestração do universo,
E o meu som e o teu se misturariam em uma apoteose mística encantadora!

Como seriam os sons musicais dos meus versos?
Quando a noite chegasse, a lua nasceria para o nosso deleite noturno.
Na dança deste som imortal, as estrelas dançariam como pontos luminosos na escuridão do espaço!

Meu coração cheio de amor, ouviria o som do pulsar dos corações dos enamorados.
A música suave, nessa hora, levaria as almas para além dos horizontes, das montanhas e dos vales mais distantes.
A noite amiga, misteriosa e bela, se apresentaria com seu vestido de gala para ouvir o nosso som..
Somente a lua seria a testemunha desse concerto imortal, na noite memorável do nosso amor!


sábado, 24 de maio de 2014

AMOR VIDA DE MINHA VIDA

Gracinda Calado
Adorei teus poemas e teus versos,
Busquei-te nas entrelinhas..
Amei teu corpo e tua alma,
Bebi o mel dos teus desejos,
Agarrei-me serena em tuas entranhas.

Caminhei serena em teu olhar.
Escrevi poemas de amor só para ti.
Em teus braços me fiz mulher...


Andei com meus próprios pés,
Quando te descobri.
Meus pés tocaram pedras e espinhos.

Fiz poesias em vão para ti,
Fiz castelos na areia.
Meus castelos se desmoronaram.

Segurei o vento para não tocar teus cabelos.
Desmoronei meus sonhos de amor.

Ah Meu amado!
Que pena que te amei um dia!

Minha vida se vai e a tua também.
Vida de minha vida, adeus!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

LEMBRANÇAS DE MEU PAI

Gracinda Calado
A música revive em atos a tua história: Um tango de Gardel.
O vento me traz momentos de alegria em que passamos juntos no solar da velha casa da ponte.
À noite ouvindo o coaxá dos sapos no jardim, ríamos de sua música dolente sem nexo ou sem entoação.
Os grilos faziam festa nas trepadeiras amarelas e roxas, cheias de flores,
E nas roseiras pequenos besouros atrevidos se encostavam,
Atraídos pelo perfume que embriagava a todos.
Quieta em um canto eu ouvia tuas histórias e façanhas do tempo da II guerra.
O sono chegava e minha mãe levava-me pelo braço para dormir.
Recordo ainda o cheiro dos teus charutos baianos, cuja fumaça se espalhava pelo ar,
E o teu olhar quase parado no tempo recordava alguma história.
Que saudades de ti meu pai!
Dos teus cuidados, do teu sorriso, da tua voz forte e do tom enérgico quando ralhavas por algum mal feito meu.
Quando eu era pequenina e ainda aprendiz das primeiras letras, 
Levava-me para teu gabinete de trabalho e me oferecias um caderno novo, lápis e borracha. Nele eu desenhava, escrevia e brincava de professora com os meus alunos invisíveis.

A CHUVA

A CHUVA

Gracinda Calado

Chuva que cai na alma, difícil de se entender,
São teus olhos chorando,
Com vontade de me ver.

A noite vem forte calada, se instala sem permissão,
Enquanto o pranto escorre
Dentro do meu coração.

Chuva que cai no telhado, molha teu peito e o  meu,
Arrasta esperanças guardadas,
No meu coração e no teu.

Chuva que trás esperanças, de fartura e de bonança,
É como um doce alívio,
pra amenizar o meu pranto.

A CRUZ

Por ANSELMO GRUM

A cruz abre uma brecha num mundo fechado que se basta a si mesmo. A cruz lembra que, na encarnação e na morte e ressurreição de Jesus, este mundo foi aberto para Deus e que Deus toca todas as áreas deste mundo. Nesse contexto, a cruz é as duas coisas: o sinal do amor incondicional de Deus, que nos alcança em todo tempo e em todo lugar, mas também o sinal do juízo que se abaterá sobre este mundo se ele continuar a se fechar em si mesmo. Este mundo terá fim. Ele não é estabelecido para sempre, mas está nas mãos de Deus. Quando Jesus morreu na cruz rasgou a cortina do templo que nos obstruía a visão de Deus. A cruz é a imagem da certeza de que este mundo já não pode obstruir nossa visão de Deus, porque ele foi aberto e marcado pelo amor de Deus. A cruz é a marca de ferrete que Deus imprimiu neste mundo, para mostrar a todos os seres humanos que o amor de Deus vence todo o ódio, que a força de Deus é a mais forte que todo poder humano que tem constantemente a pretensão de ser a autoridade ultima.

A DANÇA DAS BORBOLETA

A DANÇA DAS BORBOLETAS
(Minhas memórias de Baturité)

Gracinda Calado

Uma borboleta chegou muito faceira, invadiu o jardim e ficou.
Dançou e rodopiou na roseira.
Chegou assim de repente, sem pedir licença a ninguém.
Fez festa nas flores, sugou o mel de todas elas e dançou.

Chegaram outras borboletas...
Na dança das borboletas eu sonhei.
Na dança das borboletas eu imaginei você sorrindo...
Na dança das borboletas o seu amor era lindo!
Lindo, colorido de mil cores sem igual.

A borboleta faceira era azul me entreguei;
A borboleta vermelha era bailarina, dancei.
As cores rosadas eram das borboletas elegantes, não competi.
A borboleta amarela era a mais singela, atrativa e sensual...
No meu sonho eu era a borboleta lilás, agressiva, poderosa sem igual.
Você fazia parte do meu sonho, das minhas cores e da minha vida.

Você era a roseira preferida de todas as borboletas do jardim!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

LEITURA DO LIVRO DO PROFETA JEREMIAS

(1,4-5.17-19)

Nos dias de Josias rei de Judá “ foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo:” Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. Vamos levanta-te! Põe o cinto e a roupa, comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles.

Com efeito, eu te transformarei numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te!, diz o Senhor!

REFLEXÃO:

Deus nos chama e nos consagra para a vivência do amor, como família que escuta e comunica a palavra da vida. A Páscoa de Jesus se realiza em todos os grupos e pessoas que assumem com fé, esperança e coragem a missão libertadora.

domingo, 18 de maio de 2014

AMANHECER

Gracinda Calado

Amanhece !
O sol derrama sobre a cidade os seus primeiros raios de luz.
Sobre os telhados uma cor laranja feito brasas, se avista ao longe, enquanto a cidade ainda dorme e aos poucos vai se espreguiçando para cumprir o ritual do dia.
O clarão da manhã rompe o mistério da noite e transforma a cidade inteira em luz.
O fantástico espetáculo da aurora vai deslizando sobre os montes, emoldurados pelas flores das serranias, em despedida da noite que passou.
Pela janela aberta docemente, vejo pessoas que passam seguindo seus destinos, passos lentos, compassados, como quem não tem pressa de viver.
Na minha rua, flores se abrem nos jardins e perfumam o ar.
Na moldura das cores, dezenas de borboletas livram-se de seus casulos e fogem fartas de desejos em busca de beijos.
O sol, astro rei, traz vida e transforma todas as criaturas.
Os pássaros cantam nos galhos das árvores anunciando a felicidade de viver em comunhão com o universo.
Olho atentamente a paisagem da rua, enquanto meu corpo preguiçosamente sente a saudade da noite que passou e prenuncio o vazio do dia que virá para mim.
As belezas desta manhã ficarão na memória e nas recordações da minha história.
As saudades do passado me acompanham, e a tua imagem me persegue ainda, mergulhada na alegria daquela manhã de verão.
Pessoas vão e veem pelas ruas da cidade, rumo ao trabalho cotidiano e em mim as saudades de um amor que se finda.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

VOU FAZER UM LEILÃO

Gracinda Calado

Quem dá mais?
Quem dá mais para um coração quase velho,
Um coração magoado, cheio de rugas esquecido.

Quem dá mais, para o meu coração?
Cansado de tanto sonhar e de tanto amar,
Só bate para chamar atenção.

Quem dá mais para este coração?
Às vezes atrevido, sofrido, angustiado,
Às vezes sofre calado sem explicação.

Quem se atreve querer este coração?
Coração de adulto que pensa como criança,
Às vezes adolescente, ainda guarda esperanças...

Quem quer este coração?
Coração valente, corajoso destemido,
Coração gigante às vezes arrependido.

Vou fazer um leilão,
Quem dá mais pro meu coração?
Aceito qualquer oferta de ocasião;

Quero vender este triste coração!