terça-feira, 21 de junho de 2011

A CASA DA MINHA INFÂNCIA

(Gracinda Calado

Minha casa acolhedora amiga,

Foi sacrário santo da verdade

Refúgio de uma lembrança antiga

Retrato vivo de uma cruel saudade!


Casa velha amiga da primeira dor,

Primeiro amor da minha juventude,

Espelho da minha alma adormecida

Dormem contigo recordações de amor!

 
Suas paredes fortes e seguras

Seguram o tempo com suas histórias,

Guardam segredos da felicidade

Contam vantagens, lutas e vitórias!

 
Inda que se rompam tuas paredes,

Teu chão eu sempre hei de amar.

Lembro meu quarto, meu canto da rede,

Meus pais, meu teto querido, meu lar!


 
Conta pra mim mais uma história...

Sob o teu teto já não tenho medo,

Foram-se as bruxas, os contos de fadas,

A vida me revelou todo o seu segredo!

Baturité - Ceará.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A JANELA


Gracinda Calado
Pela janela aberta de meu quarto sigo os passos do vento, sigo o brilho do sol nas pedras de calçamentos onde todos os dias passam centenas de pessoas que levam em suas bagagens as decepções de amores, os dissabores da vida, a solidão da alma, o ranço dos preconceitos e as injustiças dos homens.
Pela janela vejo a noite chegar tomando conta do poente escurecendo a rua que agora está cheia de sombras e vultos misteriosos e só se dissiparão no amanhecer de um novo dia.
Pela janela vejo o homem do povo que empurra sua carrocinha em busca de alguns trocados vendendo cachorro quente aos famintos do espírito...

Enquanto isso, mulheres mal vestidas se expõem aos olhares dos homens numa manifestação sensual exibindo seus decotes e suas saias curtas...
Através de minha janela vejo casais que desfilam tranquilamente na penumbra da noite de mãos dadas, apaixonados festejando os momentos de ternura e paixão pelo dia dos namorados. São cidadãos do mundo, futuros pais, avós...
Alguns carros passam apressados, em busca da realização do prazer no outro lado da rua, enquanto o dia não chega!
Na janela sonho com flores e músicas, lembro-me de festas e comemorações, enquanto o sono não chega para me fazer sonhar com amores e paixões!

sábado, 11 de junho de 2011

VIA SACRA

Gracinda Calado
Fiquei surpresa quando o conterrâneo, José Airles me chamou atenção por email, de um erro nas estações da via sacra da igreja matriz de Baturité, citado pelo jornalista Augustinho, carinhosamente assim o chamo, que “as ultimas estações estão trocadas”.

Em se tratando de uma cidade de uma religiosidade ímpar, como minha querida terra, de um povo católico quase a totalidade de seus habitantes, não se desculpa o erro. Obedecendo ao caminho dos últimos momentos de sofrimento de Jesus, rumo ao sacrifício do calvário, a história não pode mudar a sequência dos acontecimentos, cada fato tem o seu significado espiritual, teológico, escatológico etc.

Será que nós os filhos da terra sempre aprendemos errado “esse caminho”?

Considero grave se, os nossos representantes da igreja se descuidaram de consertar a troca das imagens.

Como formanda em Teologia pela Faculdade Católica de Fortaleza, chamo atenção ao Sr. Pároco que dedicação especial tem por essa paróquia tão atuante e participativa, que reveja o erro para que os fiéis não aprendam a caminhar com Jesus de uma forma diferente.

O povo católico de Baturité, sempre primou pela sua espiritualidade, seu compromisso com Deus e com a igreja.

Aproveito a oportunidade para elogiar os serviços de comunicação da cidade, tanto pela internet como rádio e televisão, que levam muito longe o nome de nossa querida Baturité, mostrando-lhes suas belezas e seu conceito de capital do Maciço.

As Estações da via Sacra nos ajudam a meditar, a percorrer um caminho espiritual, e compreender melhor o sofrimento de Jesus por nós.

Foi assim que aprendemos dentro das salas de aula do nosso querido colégio N. Senhora Auxiliadora, e Domingos Sávio.

Nosso apelo aos que professam a mesma doutrina, aos que freqüentam e participam dos mesmos cultos dominicais na matriz, que zelem pelo nosso patrimônio, que além de ser católico é também cultural e artístico.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

DIA MORNO EM MINHA ALMA

Gracinda Calado
Depois de uma manhã triste, sinto-me perdida em meus pensamentos...

A voz do vento suaviza a natureza deixando tudo mais claro e limpo.

Meu coração pulsa rapidamente como se quisesse parar. Foi assim o dia todo.

A tarde é morna. O calor incomoda a alma da gente.

Olho a rua, está deserta como o meu coração, deserto de emoções, de saudades... Cheio de inquietações, ao pensar que deixei para trás tudo o que não tive coragem de realizar no passado

Novos conceitos sobre a vida, sobre o amor, sobre a verdade de Deus, sobre os mistérios do universo, deixei de procurar, de pesquisar, à procura de novas fantasias, novos projetos, novas esperanças, enfim ficou a fé que me sustenta e me embala.
Ouço ao longe um canto de bem-te-vi despedindo-se do dia, enquanto minha alma chora as lembranças de minha terra querida, serpenteando as verdes serras do maciço de Baturité.

O meu coração se aquece meio as emoções e os pensamentos da infância, quando eu tinha ainda meus pais. O que foi plantado em mim, não morrerá nunca!
A tarde morre, despede-se do sol e reverencia a lua que chega calmamente esbanjando sua majestade e beleza.

Anoitece! Na rua os boêmios se encontram para o encontro habitual. Tento sentir a brisa amena e tento conversar com a lua enquanto as estrelas começam a aparecer no céu!
No céu, espero ver alguém que já partiu, alguém que muito amei.

E no encontro com o místico e o irreal, encontro alento para o meu mal!

sábado, 4 de junho de 2011

ONDE ANDARÁ O MEU AMOR?


Gracinda Calado
Uma borboleta branca pousou cansada em minha janela, ficou ali parada, linda transparente, fitava-me como se quisesse dizer alguma coisa.

Em minha mente ela entrara com toda liberdade, como se fizesse parte de mim.

Quem era aquela borboleta?
Senti-me uma borboleta que voa sem rumo para qualquer lugar.

Voei, voei, procurei o meu amor nas flores do jardim, nas águas silenciosas do lago, nas árvores frondosas da colina, na relva verde dos caminhos, nos telhados avermelhados dos casarões...
Caminhei em direção ao sol, procurei-o no reflexo do luar, no espírito das estrelas, beijei as ondas do mar, deixei-me levar pelo vento para te encontrar
Onde andará o meu amor?

Talvez se esconda em alguma estrela, ou nas pétalas de um gira sol, nas asas de um passarinho, na escuridão da noite, na luz do amanhecer...

Quem sabe, na borboleta que veio a minha janela com vontade de falar, de me ver, me chamar, para juntos voar para além do infinito céu azul!
Onde andará o meu amor, que nunca mais quis voltar?
Será que ele se esqueceu do nosso amor, o nosso pacto nupcial?

Deixou o triste adeus no vazio da solidão.

domingo, 29 de maio de 2011

QUERIDA AMIGA BEATRIZ

Gracinda Calado

Hoje tive uma grande alegria em saber que o passeio de eis-alunas salesianas de Baturité foi muito bonito e cheio de recordações e saudades. Confesso ter tido inveja de todas as minhas colegas, principalmente aquelas dos anos sessenta, época em que explodíamos de dentro para fora o amor e a amizade sinceros, as brincadeiras simples e gostosas, no convívio santo e maravilhoso de nossas queridas mestras, como ir. Nazareth Nóbrega, ir. Antonieta Cavalcanti, Ir. Inácia, Ir. Teixeira, pequena grande alma que ao piano criava e recriava músicas dos deuses que embalavam nossas almas de emoções indescritíveis para a época.

Nosso colégio tão acolhedor!
Nossas vidas cheias de energia, de planos para um futuro ainda distante, não poupávamos segredos e projetos...

Agradeço a todas as minhas mestras tudo o que delas aprendi naquele convívio de pureza e de muita paz, o amor a Deus e a devoção a minha querida mãezinha do céu, que até hoje eu venero com devoção e amor. “Rainha gloriosa”, Nossa Senhora Auxiliadora, que minha mãe me ensinava à devoção do santo terço todos os dias, e hoje rezo, muitas vezes o terço “caindo” sobre os lençóis de tanto sono, pelo cansaço do dia a dia.

São tantas as saudades, amiga, aquela turminha de professorandas, que se espalharam por esse Brasil, por essas terras e que há tempos que eu não as vejo!
Saudades da nossa terrinha, tão linda, verde, cheirando a flores dos seus jardins enfeitados de angélicas e borboletas...

Saudades da nossa Igreja Matriz, onde fui batizada pelo Pe. Artur Redondo, onde fiz minha 1ª Comunhão e onde me casei.

Saudade de meus pais, meu querido Aldemar, meus irmãos, alguns que já partiram para a casa do Pai, como meus pais.

Saudade de ti querida amiga, que desde a infância conservamos uma sincera amizade, e que aqui agradeço por isso, é uma dádiva de Deus!

Meu abraço de saudades da amiga: Gracinda Calado

terça-feira, 24 de maio de 2011

A VOZ DO CORAÇÃO


Gracinda Calado
Hoje ouvi uma voz que soava forte em meus ouvidos

Um canto triste, cheio de melodias suaves,

Ao mesmo tempo, ouvi um choro que saía da minh`alma.

O choro era forte, mas o canto era lindo, harmonioso,

Sem ruídos nem mistérios, naquela noite cheia de graças.

Enquanto o som invadia a amplidão do espaço, um raio

De luz apareceu no céu, fulgurante, alucinante,

E a minha alma embriagada pela voz melodiosa,

E pela luz do céu, chorou, sorriu, clamou o amor!

A voz saía do coração inflamado pelo grande amor,

E o silencio se fez sentir depois na amplidão do universo;

O coração falava baixinho, sem incomodar,

Silenciava esperando a hora de cantar e dizer ao mundo:

Como é grande o meu amor por você!

domingo, 22 de maio de 2011

O JARDIM DE MINHA MÃE


Gracinda Calado
A natureza foi pródiga na cidade de Baturité, onde o clima ameno e o ar puro privilegiaram os roseirais, as avencas e as samambaias, de inverno a verão.

Minha mãe admiradora da natureza, apaixonada pelas flores, ficava horas esquecidas cuidando das plantinhas, cuja satisfação era como um remédio para ela.

O lugar era propício ao plantio de flores, devido à fartura de água e adubos.

Logo cedo ela entrava para o jardim e começava um verdadeiro ritual: Limpava os matinhos e as ervas daninhas. Limpava canteiros de pequeninas flores, para que não fossem dominadas pelas maiores. Com um pequeno aguador, cuidadosamente aguava todas elas, a manhã inteira...

Em um canto do jardim, alguns jasmins, orquídeas, bougaris, todos branquinhos e perfumados; em outro canto, rosas vermelhas, amarelas, em tom coral, de odores embriagadores, como os pequeninos miosótis azuis, que gostavam de se esconder entre as folhagens verdes dos mimosos canteiros.

Na parte mais alta do jardim, cresciam as samambaias, as avencas, os cravos amarelos alaranjados. Do outro lado bem cuidado, as dálias, as verbenas, as açucenas e as margarida

No pé do muro enfileirava as pacavilhas vermelhas e dava um toque de arremate no jardim, e quando a noite chegava o perfume dos florais se misturava ao som dos sapos e das pererecas, que o vento gratuitamente espalhava por toda a redondeza.

O cheiro de minha mãe era próprio das flores que ela cultivava e todos os dias lhes abençoava.

Ao ver minha mãe sempre naquele lugar, era como uma rosa entre o roseiral!

Pela manhã as borboletas vinham saudar as flores e alegrar o coração de minha mãe!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A DESPEDIDA DO AMOR SEM FIM


Gracinda Calado
Depois de uma noite de tormentas e insônia, ele partiu,

Partiu para sempre sem dizer nenhum adeus.

Apenas seus olhos falavam pelo seu coração!


O sol aparecia tímido, com se não quisesse aparecer,

Porém a solidão que reinava nos corações, chorava

De dor pela despedida calada e fria do momento.


Uma brisa forte passou, com se quisesse destruir tudo,

Como chorava um coração amargurado pela despedida,

Enquanto a natureza anunciava que a vida continua...


O dia triste amanheceu, ele partiu, mudo sem adeus,

Apenas um beijo frio adormeceu o coração que chorava,

Dilacerado pela dor da separação, do triste fim!


Nas lembranças, os momentos misteriosamente infinitos,

Que marcaram suas vidas, a história de um amor sem fim...

Um amor que nunca se acabou mesmo com a força do adeus!

domingo, 15 de maio de 2011

UMA NOVA ESTRELA

Gracinda Calado
Eis que surge no céu uma estrela brilhante,

Que estrela é essa, não conhecia ainda,

Ela brilha demais, é emocionante!



Como será seu nome ou sobrenome?

Parece com um raio de luar, tenta ofuscar,

Tenta falar, tenta sorrir, tenta dizer que:

“Estou aqui para te ver, te ouvir e te amar!"


Meu nome é Tarcilia, minha luz é saudade,

O meu som é Calado do meu sobrenome,

Vocês já sabem quem sou no firmamento,

Moro onde moram os anjos e o Senhor da Verdade!


Aqui não tem choro, só amor, felicidade!

Tudo aqui é certinho como o manto de Maria,

É respiração de Deus, lágrimas dos anjos,

É raio de luz infinita por toda eternidade!





Fortaleza, 11 de Maio de 2011    (Uma homenagem a minha querida irmã Tarcilia Calado Lima.)

terça-feira, 10 de maio de 2011

ONTEM COMPLETEI ANOS...


Gracinda Calado
O que acontece quando a gente completa mais um ano de vida? .não senti, não doeu nada!

Completei 70 anos e não sinto que o tempo passou.

Se não fosse a vontade de rever meu passado, novamente estar com meus pais, brincar de roda, cantar canções, ciranda e cirandinha, e tantas outras coisas simples que a gente nunca esquece!

Às vezes me pego lambendo a bacia onde ficou a massa do bolo que minha mãe fazia, sentindo o perfume das frutas maduras do pomar, o cheiro de mel de cana da serra saindo dos caldeirões para fazer rapadura, ouvindo o ronco das águas descendo no rio em dias de chuva; dou imensas gargalhadas em pensar que subia nas árvores para colher frutas... Não posso esquecer minhas bonecas de pano que minha mãezinha fazia!



Quando penso nessas coisas, é como fazer uma grande limpeza na minha alma, é uma doce alegria de ter vivido e convivido com essas coisas simples, mas tão significantes para mim.

Lembro-me de meus irmãos, nas brincadeiras de meninos levados, e minhas irmãs preocupadas com o visual para impressionar os namorados!!!



Hoje é dia de tudo isso, menos de chorar pelo que passou.

Refiz meus plenos, superei meus desenganos, suportei minhas saudades, abracei meus filhos, beijei meus queridos netinhos, recebi afetos dos amigos e amigas, agradeci a Deus por ter me poupado até hoje junto aos que me querem bem.

Obrigada Senhor pela vida!

10/5/2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

SOU ASSIM...

Gracinda Calado
Em meu caminho às vezes tento caminhar em direção ao sol.

Oriento-me pela bússola da razão e às vezes encontro-me entregue ao coração.

No meu íntimo calada ponho-me às vezes a remoer pensamentos, e num momento acordo para a vida deleitando-me com tudo que há de bom ao meu redor.

Tento olhar o céu com os olhos dos poetas e sonhadores, acordo em sedas e cetins na relva fresca das madrugadas frias da ilusão.

Tento voar nas asas da saudade quando não encontro chão.

Meu pensamento briga, chora, sofre, procurando um ninho pra ficar ou um colo quente como abrigo.

Nas caladas da ilusão sou como o pássaro que foge ligeiro em busca de outros ares pra voar e terra firme pra pousar.

Sigo o caminho do céu, esforço-me pra chegar. Em vão rastejo-me na relva rasa dos jardins do coração.

Canto uma canção que sempre cantei quando não tenho a quem segurar a mão, e o som da minha voz sustenta-me na hora em que eu mais preciso.

Estou cansada de esperar pelos favores deste mundo, confio na força do universo e na energia das estrelas.

Só sei que dentro do meu coração mora um anjo que me faz feliz e isso já me basta!

ESTE TEXTO JÁ FOI POSTADO UMA VEZ, PORÉM HOJE É MEU ANIVERSÁRIO, E CASUALMENTE ACHEI QUE DEVIA COLOCÁ-LO MAIS UMA VEZ, PARA QUE MEUS ACOMPANHANTES ME VEJAM COMO SOU, NOS MEUS SETENTA ANOS. Beijos!

A FOME


Gracinda Calado
A maior doença do homem é a fome.

Ela humilha, deixa o homem igual aos vermes do lixo.

Quantas vezes vemos na televisão rostos esquálidos, desfigurados, braços magros, corpos sem vida sem animo para andar; lábios sem abrir um sorriso, olhos inchados de chorar e não dormir com vontade de um pedaço de pão para matar a sua fome ou de seus filhos.

Presenciamos muitas vezes nas feiras da cidade, restos de frutas e verduras que são jogadas aos animais; sobras de carne ardidas e mal passadas nas valas dos lixões e devoradas pelos pobres, miseráveis que arrastam os restos como iguarias de primeira.

Crianças que se jogam dentro dos tambores ‘do lixo’ dos supermercados, à procura de um pedaço de pão ou de um biscoito. Crianças que choram a falta de um copo de leite quando amanhece o dia.

Mulheres que amamentam seus filhos nos seus seios murchos sem nada para lhes oferecer. Muitas vezes elas choram e se desesperam com tal situação.

Muitas vezes crianças abrem os lixos ricos dos barões á procura de um sapato ou chinelo de borracha para forrar seus pés.

Miséria, muita miséria, é o que vemos toda hora na nossa cidade e em todos os lugares do mundo.

O homem está morrendo de fome, doença que só cura com alimento, sem ele não escapa ninguém.

Quanto mais vemos casos como estes, em nossas próprias casas sobras de comidas são jogadas fora, não se destinam a quem precisa. Dariam para alimentar muitas famílias.

O estrago é total, sem piedade, sem misericórdia, sem caridade.

A fome mata e maltrata, homens e animais.

O homem com fome, não tem dignidade. Não tem cidadania.

Não reconhece Deus seu criador. Não tem vez, nem voz. Não é ninguém.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

ENCONTROS

Gracinda Calado

Fascina-nos falar de nossa terra, pois lá nossas emoções vagueiam em todos os poros da cidade, que embora pequena, ajusta-se aos acontecimentos reais de nossa imaginação que ficaram no passado com gosto de presente. Basta-nos porém um encontro com alguém que tenha vivido ou convivido naquelas plagas ou que tenha algo em comum com ela para que nos lembremos de nós mesmos, de nossas raízes entrelaçadas de felicidade e de amor, regadas de muita paixão e abençoadas pelos deuses da natureza.

Seria isto a inspiração que se derrama em nosso cérebro, o amor que recebemos dela, as invocações de nossa formação de criança e de adolescente, o gosto pela beleza da vida e a pureza de nossa alma embriagada pelo perfume das flores da serra, onde jamais esqueceremos seus odores, nem os cantos dos pássaros que nos acordavam nas manhãs do mês de Maio, enquanto o frio nos unia aos lençóis brancos de nossos corações.

Adorada cidade de Baturité! Muitas vezes brincamos debaixo de seu sol e muitas vezes debaixo de seu luar, sem medos e sem preconceitos, nas calçadas largas de suas ruas onde se enfileiravam os benjamins viçosos que enfeitavam suas ladeiras. Onde os sonhos se manifestavam em realidade, no palpitar dos corações de seus filhos amados.Onde o amor fez seu ninho e nem o tempo que passou destruiu o que tudo foi gerado dentro de nós!

Sempre voltaremos a nos encontrar com ela e sempre reviveremos os sonhos e as fantasias de outrora, e os momentos de agora que nos fazem muito bem!

A VIDA É PARA SER SENTIDA


Gracinda Calado

Muitas vezes acordamos alegres, abrimos a janela e sentimos o sol.

O gosto de vida se apresenta dentro de nós, no perfume das flores, no sorriso de uma criança que passa exibindo sua inocência, no verde das montanhas que se estendem sinuosamente no horizonte banhado pelo sol, que aparece derramando sua luz na cidade toda.

O ar parece mais puro, e o céu mais azul, como um grande manto a colorir o céu!

Vida, alegria dos homens e dos poetas! Vida, perfeita invenção do Criador!

Mistérios no ar, depois de uma noite de escuridão! A alma aflita busca a paz na luz que emana do sol, como alento aos pesadelos que desfilam nos sonhos das noites intermináveis. É como um caminheiro que anda sem destino ao ponto de encontro, onde só ele sabe onde encontrá-lo.

O sol é a energia, a alegria, a vida de todos os seres criados, a esperança viva da terra, a mãe que nos gerou e nos acolheu no seu seio santo.

As noites de luar são luzes irradiadas pelo sol, raios de fagulhas do astro rei que há milhões de anos nos aquece gratuitamente.

O sol, perfeição do Criador quando a Palavra se fez, e a luz se perpetuou em todo o universo, como um banho de ouro sobre a terra e sobre todos os planetas.

Galáxias e astros luminosos se rendem a esta admirável criação. No infinito do universo a estrela maior na sua 5ª grandeza exibe sua grandiosidade e perfeição, com o esplendor que ela irradia todos os dias aos nossos olhos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

COMO FOI MARAVILHOSO!

Gracinda Calado
De repente entramos na escola, alegremente carregamos nossos livros, nossa lancheira com a merenda e sorrindo nos encontramos com as colegas que pensam como nós, falam como nós, se divertem como nós...

De repente terminamos o colegial, vamos para a faculdade, casamos e logo percebemos que alguém está interessado em nós. Que linda descoberta!

O mundo desabrocha colorido demais e nós vamos em busca das cores, dos brilhos e das luzes, como borboletas nos jardins. Não percebemos as maldades, nem os obstáculos que se atravessam em nosso caminho, nem imaginamos que a vida passa ligeiramente e que em breve teremos filhos e iremos festejar os aniversários dos nossos netinhos.

Frente ao espelho nos assustamos com uma pequena ruga que tenta aparecer em torno de nossos olhos. Será que o tempo passou? Não acreditamos.

Em uma rua da cidade encontramos os amigos e os amigos que outrora brincávamos juntos nos coretos da praça, corríamos pelas calçadas, jogávamos bola e dançávamos nas vesperais. Como foi tudo maravilhoso!

Um retrato preto e branco chama a nossa atenção. Rimos de nós mesmos!

O que foi feito da nossa infância e da nossa adolescência? Onde moram nossos sonhos que sonhávamos juntos? Onde ficaram os projetos que habitavam nossas mentes alegres, cheias de fantasias? O que foi feito do destino de cada uma de nós? O tempo levou como o vento nossos pensamentos mais sutis. Caminhos que não escolhemos, agora caminhamos rumo ao destino que não procuramos!

Vida que passa como uma onda forte, leva-nos a lugares que não idealizamos no passado, agora vemos tudo que para nós era tão desconhecido!

Sem lamentações aceitamos as mudanças como se elas fossem preparadas por nós. Resta-nos fazer de nossas vidas a vida que recebemos do amor, e com o amor chegaremos ao fim de nossa história. Vale lembrar que vivemos muitas histórias,mas a verdadeira história é a vida que levamos no passado que está viva no presente, como se ela quisesse voltar, porém revivemos tudo no presente.

domingo, 27 de março de 2011

QUERIDA NETINHA KARINNE

GRACINDA CALADO

Parece que foi ontem que recebi a noticia do teu nascimento, quando teus pais moravam no Piauí. Quão grande alegria senti ao saber que mais uma menina iria encher de alegria e vida a minha solidão de vovó.
Lembro-me de contar os dias para ir ao teu encontro para vê-la, abraçá-la e beijá-la muito... Quando cheguei no Piauí, que linda criança! Tua pele rosada e teus cabelos dourados iluminavam teu sorriso de criança e com muito orgulho parabenizei os seus pais.

Hoje ainda guardo as doces recordações de ti, linda bonequinha de carne, parecia porcelana.

Agora já estás crescidinha, nos seus 17 aninhos, estudando para fazer vestibular na área de saúde, muito animada e dedicada os teus estudos. Seguirás o exemplo de tua maninha Kamille, que já está fazendo faculdade também.

Parabenizo-te pelo teu caráter e meiguice, pela tua dedicação com teus pais e irmãs, e pelo zelo com esta vozinha, como tu me chamas, que espera ainda viver muitos anos para te abraçar sempre nos teus aniversários.

Que Deus, nosso Pai e Criador te cubra de mil bênçãos hoje e sempre nessa tua vida tão cheia de alegrias e projetos.

Beijos da vovó Gracinda Calado.

FOLHAS AO VENTO



A vida é como um sonho, às vezes bom, às vezes pesadelos.

À noite eles entram em nossa casa e não pedem licença.

Vão chegando, vão entrando tomando posse,

Nossos passos são lentos, nossos braços não se movem,

Nosso peito se enche de sensações estranhas,

Às vezes sentimos dor, agonia, alegria ou solidão.



Em nosso livro, fazemos histórias.

Histórias da infância e de primaveras,

De reis e de bruxas de sereias e rainhas.

Flores e borboletas, padres e coroinhas.

Sonhos de adulto, com lágrimas ou vitórias.



Todos os dias viramos uma página, não as lemos.

Deixamos para trás os momentos perdidos,

Os que nos são caros, que marcaram nossa história.

Inventamos coisas, inventamos tempos vividos.

E o tempo passa e se vai como páginas

Ao vento levando nossa história.



O que fazer com a página em branco do nosso livro?

Deus quem nos fez e nos inventou assim,

Com páginas em branco em nossas vidas,

Não queremos registrar os tais momentos

Que nos fizeram sofrer na nossa história!



terça-feira, 22 de março de 2011

É TEMPO DE SERMOS FELIZES!


Gracinda Calado

Todo tempo é tempo de sermos felizes!

Basta que vejamos o sol que brilha todos os dias enfrentando as forças do universo.

Para sermos felizes temos que amar, assim o amor encontrará a luz que brilha dentro de nós.

É necessário que ouçamos o silencio falar, muitas vezes ele grita e não ouvimos pois estamos surdos do amor de Deus. Não queremos ouvir o que o nosso coração diz...

É importante alçarmos vôos altos em busca dos montes que nos geraram, enquanto a luz passeava em nossos caminhos.

Vejamos sempre as mãos calejadas dos velhos, marcadas pelos pesares da vida longa. Cada ruga reflete uma marca, uma cicatriz, prova de amor, de dedicação ou de trabalho.

Quantas vezes falamos com as flores, ou sentimos seu perfume ou apreciamos suas cores?

Apaixonemo-nos pela vida que ela nos traz sonhos, verdades, experiências, lembranças, alegrias, felicidades!

Busquemos o que de mais precioso temos dentro de nós, o amor, para afastar a tristeza, os ressentimentos e a solidão.

Silenciemos um instante, para refletirmos o que se passa dentro de nós, pois a resposta da felicidade falará aos nossos ouvidos e ao nosso coração!

Busquemos Deus sempre, pois todo tempo é tempo de sermos felizes!

quarta-feira, 16 de março de 2011

O BARQUINHO E A LUA


Gracinda Calado



O barquinho lentamente passeia nas águas tranqüilas do lago.

A lua misteriosa espalha seus raios luminosos como tapetes de luz.
Quisera eu ser o barqueiro, flertar com a lua, me apaixonar pelo luar; dar asas a imaginação, sonhar, viajar nas estrelas, me refletir nas águas límpidas desse lago.
Lua majestosa, desnuda, aparece e caminha em cima de nossas cabeças, acompanha o barco, domina corações e nos enche de emoções e mistérios.

Vendo-a assim tão linda, tão majestosa e fria, tão bela, a lua esconde segredos, manda recados, enfeitiça corações!


Lua dos namorados, dos amantes da noite, dos desesperados, dos boêmios, dos menestréis e dos apaixonados...


Lua que faz vibrar corações, enfeitiça, ilumina, não guarda segredos nem brinquedos!

Lua que leva o barqueiro para o fundo do lago, nas noites dolentes e enfeitiçadas.


Lua das noites claras e dos plangentes violões, que leva o barquinho para o horizonte ao encontro das estrelas e ao murmúrio do mar!