sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A RAINHA DO POVO


A RAINHA DO POVO
(Gracinda Calado)

Dez anos sem lady Diana.
O anjo voou para além das maldades,
Acordou nos braços da Verdade.
Deparou-se com a luz aquela que sempre brilhou em seus olhos azuis.
Por amor sofreu, por amor morreu.
Por amor se entregou nos braços da cruz.
Na eternidade sorri agora, feliz com aquele sorriso lindo, ingênuo, suave e tímido!
Foi vítima da tirania dos inescrupulosos e dos que a perseguiam.
Fez seu ultimo passeio para a morte ao lado do seu novo amor.
Amor que buscava como alento para sua alma vazia e solitária.
Deixou seu legado verdadeiro, seus filhos, que perpetuarão a sua imagem para sempre.
“Rainha do povo”, dos doentes dos amputados, dos encarcerados, das crianças aidéticas, dos pobres desamparados.
Agora somos nós os órfãos, os condenados a não mais ver aquele rosto lindo, aquele sorriso meigo, aquele olhar triste e ingênuo. Somos órfãos da sua presença querida “ Princesa do povo”!

BEM ME QUER


BEM ME QUER
( Gracinda Calado)

Eu te quis assim
Como tu és...
Eu te quis porque
Tu me querias bem...
Tu me ouvias e me dizias
Que me amavas também.
Eu te vi assim
Eu te quero bem,
Te amei como ninguém...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007


O RETRATO
( Gracinda Calado)


O teu retrato continua aqui, guardado no meu pensamento e no meu coração!
O teu retrato às vezes penso que me diz alguma coisa...Eu me esforço para te ouvir.
Logo te vejo entrando pela porta da frente, passo forte, sorriso nos lábios, ou cantarolando uma bonita canção. Corro para teus braços, feliz, enamorada, perfumada como todas as tardes acontecia.
O teu retrato me leva ao passado, olhando este teu rosto jovem, como no dia em que nos conhecemos, enquanto dançávamos.
Trocamos juras de amor, foi de repente, me apaixonei, e tu também, tínhamos pressa.
O destino tinha pressa, foi tudo muito rápido...
Fizemos uma história bonita.
O destino cortou nossa história. Agora só resta o retrato. Bela fotografia, em preto e branco.
Olhando para ti, através desta foto sinto-me prisioneira do tempo, cúmplice de uma história em pedaços de amor pelo caminho.
Tentei refazer meus cacos, sobraram pedaços, esquecidos, maltratados. Joguei-os fora.
O teu retrato continua vivo, é mais que um trato, um contrato.
O teu retrato é meu pergaminho, é meu tesouro, vale mais que o fino ouro, não tem preço, só endereço.O teu retrato está dentro do meu coração!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

DENTRO DE MIM MORA UM ANJO!


DENTRO DE MIM MORA UM ANJO
( Gracinda Calado)


Dentro de mim mora um anjo, não sei como explicar!
Nas caladas da noite escura passeia entre o roseiral em flor.
Esse anjo já passou por correnteza e vendaval.
Já criou asas e voou para bem longe a procura de alguém.
Dentro de mim mora um anjo,não sei como explicar!
Já curou muitas feridas, espantou solidões.
Esse anjo curador é também mensageiro de amor!
Anjos são pérolas de luz em nosso caminho,
São fagulhas pequeninas de amor em nossa vida,
São presentes de Deus dispostos a nos guardar.
Anjos protetores
Anjos cantadores,
Anjos musicais,
Voam como plumas em nossas cabeças,
Correm como garças brancas ligeiras,
São verdadeiras perfeições divinas,
São raios de luar!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

CANÇÃO DA MINHA ALMA


CANÇÃO DA MINHA ALMA
( Gracinda Calado)

Deleita-te ó minha alma acalantada
Sente no âmago a paz e o sossego,
Finge dormir com olhos acordados,
Que o dia nasce lindo no seu aconchego.

Andarilha, errante e peregrina,
Volúpias de paixões e de desejos
Voa alto como ave de rapina
No além dos céus dos teus enlevos.

Sombras branqueadas de ilusões,
Fizeste em minha vida uma história
Gravaste em algumas ocasiões
Páginas completas de vitórias.

Deleita-te com o éter do universo,
Que em ti um novo mundo sonho,
Tenho-te agora em mais um verso,
E a confiança que em ti ponho.

Segura-me no vôo mais profundo,
Ajuda-me a escalar vales e montes,
Segue-me na estrada desse mundo,
Mostra-me um límpido horizonte...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

MOMENTOS DE AMOR


MOMENTOS DE AMOR ( Gracinda calado)

QUANDO A GENTE ESTÁ AMANDO/ NÃO SENTE O TEMPO PASSAR,
AS HORAS CORREM DEPRESSA/ PARECE QUE VÃO VOAR.

A GENTE FICA ESQUECIDA/ DO TEMPO, DO ESPAÇO E DO CHÃO,
O PEITO BATE MAIS FORTE,/ COMO APERTA O CORAÇÃO!

O SANGUE FERVE NO PEITO / O MUNDO GIRA ENTRE NÓS,
A BOCA FICA CALADA / SENTIMOS PERDER A VOZ...

UM BEIJO PERDIDO SAI / OUTRO VEM LOGO DEPOIS /
O MUNDO TODO FLUTUA / NA IMENSIDÃO DE NÓS DOIS!

MOMENTOS DE UMA VIDA
( Gracinda Calado)

Grandes ou pequenos são os momentos que vivemos.
Momentos de amor, tristes, melancólicos, traiçoeiros, alegres de felicidades....
Também eu tive os meus momentos, minhas amarguras, minhas decepções, minhas perdas causadas pelo infortúnio.
Também tive meus ganhos, minhas afirmações, minhas vitórias, porém não quero agora relembrar o que perdi.
Limpei minhas gavetas empoeiradas pelo tempo.
Vesti vestido novo de linho, sapatos de pelicas, ornados de camurças.
Sentei no banco de jardim, que há muito tempo não sentava, observando as flores e as borboletas que dançavam nas orquídeas.
Momentos de reflexões e de meditações, lavaram minha alma antes perdida e enxovalhada pelos erros que cometi.
Pedi perdão, me aproximei de quem só na vida me fez o mal.
Cantei para os meus filhos uma canção de amor. Li um livro de Camões como nunca lera antes e até gostei dos seus versos inversos, mas cheios de amor!
Abraço-te agora em pensamentos de outrora. Despi meu corpo e lavo-me da sujeira do dia que passou e vou dormir feliz sem ti!

sábado, 25 de agosto de 2007

VÔO NO INFINITO DA ALMA


VÔO NO INFINITO DA ALMA.
( Gracinda Calado )


Coloquei o meu espírito
Na palma de minha mão,
Senti Deus na minha frente,
Prostrei meu corpo em oração.

Dei um sopro levemente,
Senti subir, flutuar,
Lá de cima docemente
Vi a vida se acabar...

Desci, parei e peguei
Novamente em minhas mãos
Meu espírito redimido
À procura do perdão.

Senti Deus novamente
Na luz de clara visão,
Me prostrei em corpo e alma
Esperando a salvação!

CORINTIOS 13


CORINTIOS 13


Ainda que eu falasse as línguas dos anjos,
E não tivesse amor, seria como o metal que soa
Ou como o címbolo que retine.
E ainda que eu tivesse o dom de profecia,
E conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,
E ainda que tivesse toda fé,
De maneira tal que transportasse os montes,
E não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse todos os meus bens
Para o sustento dos pobres,
Ainda que entregasse o meu corpo
Para ser queimado, e não tivesse amor,
Nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno;
O amor não é invejoso;
O amor não se vangloria,
Não se ensoberbece,
Não se porta inconvenientemente,
Não busca seus próprios interesses,
Não se irrita, não suspeita mal;
Não se regozija com a injustiça,
Mas se regozija com a verdade;
Tudo sofre,
Tudo crê,
Tudo espera
Tudo suporta.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

FLORADAS NA SERRA


FLORADAS NA SERRA
(Gracinda Calado)


Quando chega o verão, na serra tudo fica diferente.Nossa alma vai em busca das flores pelo perfume que exalam e embriagam. Sonhamos com primaveras perdidas nas montanhas e a sensação de frio nos leva a pensar em solidão.!
Quando amanhece na serra, a serração cobre tudo de cinza depois se esvai cobrindo o cafezal vermelho. Nosso corpo treme ao toque da água cristalina do riacho, que teima em correr devagar, preguiçosamente em busca do rio. O frio é intenso e depois de alguns goles de café, saímos a passear estrada afora vendo a paisagem que se muda a cada hora.
Lá do alto da serra a água cai, acompanhando as grotas íngremes que se estendem nas encostas dos montes seguindo o curso dos abismos que se formam nas estações invernosas.
Avistamos de longe, no seu cume, um tapete de cores formado pelos ipês floridos, multicores, que todas as manhãs encobrem o chão de flores, enquanto na copa das árvores pássaros cantadores cantam demonstrando seus gorjeios favoritos.
Nos ninhos alguns casais de “ pintados” sacodem as penas para aquecer seus filhotes..
Vem chegando o sol, e com ele a esperança de esquentar a alma que se prepara para o encontro do amor. Casais de enamorados passeiam naquela tarde fria, um no aconchego do outro, descobrem lindos versos de amor e lindas canções para elevar ainda mais a alma apaixonada! O amor floresce como floresce a natureza do lugar. Surgem as floradas e a serra cobre-se toda de azuis e amarelos, vermelhos e brancos.
Anoitece e ao longe desconfiada surge a lua ciumenta, naquela noite fria, testemunha de algumas histórias de amor!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A DESPEDIDA


A DESPEDIDA
( Gracinda Calado)



Hoje me aconteceu um fato inédito, enquanto eu me preocupava com negócios e transações comerciais. Envolvida que estava na venda de uma casa de praia fui ao local para entregá-la ao novo dono. Depois de tratar do negócio feito, procurei meu antigo caseiro para fechar a conta dos seus serviços e me surpreendi.
Preenchi o cheque de pagamento entreguei-o e agradeci pelos seus trabalhos durante os dez anos que me dedicou. O homem baixou a cabeça, não olhou o valor do cheque, enquanto isto começou a soluçar, chorava copiosamente, enquanto eu lhe falava dos seus méritos profissionais. Quanto mais eu o elogiava mais ele chorava. Não pude me conter então caí em prantos e senti que algo eu estava perdendo de verdadeiro, a amizade sincera daquela pessoa simples,mas cheia de amor, reconhecimento por tudo que eu fizera a ele e sua família.Qual foi minha surpresa quando juntos chorávamos ele desabafava dizendo que iria sentir muito minha falta. Ele sabia que eu gostava muito do meu jardim, das minhas flores, da grama que enfeitava aquele chão, e dos cuidados que eu sempre dediquei àquele pedaço de natureza. Levantou os olhos avermelhados de chorar e disse: “Cuidarei sempre das suas plantas pois a senhora me ensinou que elas ouvem e sentem quando a gente fala com elas.”Despedimo-nos muito comovidos e ele fez-me um convite: “Quando quiser venha aqui estarei sempre às suas ordens.Pode me procurar sempre , a senhora foi a melhor patroa que eu já tive.” Um pouco mais distante várias amigos e familiares observavam a nossa conversa e admirados estavam da sinceridade daquele homem simples que não se fechou em seus sentimentos e desabafou em lágrimas o seu agradecimento e a sua gratidão.
Aquele homem me ensinou hoje uma bela lição.Obrigada Edson!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007


A VIAGEM DA VIDA

GRACINDA CALADO


Quando nascemos, somos rejeitados pelo útero materno, que durante 9 meses nos acolheu, e num impulso natural nos joga no mundo.
Nossa reação é chorar...Nascemos chorando, pela rejeição de nossa mãe.
Ela a geradora, alivia-se das dores do parto e chora de alegria! Somos bem vindos!
Inicia-se em nós um começo de viagem, não sabemos pra onde vamos nem o que queremos.Tudo é estranho!Aos poucos vamos nos acostumando com aquela vida esquisita.
Conhecemos pessoas, sentimos dores, alegrias,tristezas,ouvimos gritos...
E agora? A vida continua... como se estivéssemos em um trem de viagem rumo ao desconhecido.Pessoas que vão e que vêem, vão passando, vão saindo, vão embora de vez e o trem andando e tudo acontecendo...
Não podemos ficar parados, avistamos paisagens, ouvimos histórias, fazemos histórias,somos personagens de outras histórias...E o trem andando, algumas vezes uma freada desperta-nos do sono. Os passageiros se acostumam com o balanço do trem. Uns viajam ao nosso lado,outros passam por nós...Uns nos dão carinho, outros nos dão amor,outros nos desprezam, nos fazem chorar, nos fazem rir, outros refletir sobre nossa viagem.
Continuamos no trem, de repente, olhamos para os lados e aqueles que viajavam conosco não estão mais.
Onde ficaram? Onde o trem parou?Onde desceram nossos pais?, Nossos irmãos, nossos amigos?
Estamos sozinhos, sem ninguém que nos queira bem.
Guardamos as recordações daqueles que por nós passaram e deixaram sua marcas.
O trem começar a encher novamente ,novas pessoas vão entrando em nossa vida.
Pena que o trem parou, está na hora de descer!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

PRAINHA- CEARÁ




PRAINHA -CEARÁ
( Gracinda Calado)


Prainha reduto monumental do litoral!
Pequeno oásis no seara.
Majestoso desencadear de areias brancas
Como rendas de almofadas.
Porto das dunas, casarões de pedra e cal,
Desafiando o céu, desafiando o mar,
Natureza por todos os recantos...
Dégradé de verde tropical.

Água de coco, peixe assado,
Caranguejo, caipirinha,
Brindam com gosto e alegria
A brejeira prainha...


Da varanda vejo o mar por igual,
Meu olhar viaja pro horizonte
Meu pensamento voa alto pra outros montes.
Pássaros que cantam nos coqueiros,
Homens que levam seus veleiros.

Ao longe a jangada aponta,
Traz com ela o peixe,
Traz com ela o jangadeiro
Que deixou no mar seu sonho brasileiro.
Traz para o corpo alimento
E para a alma a esperança...


Calma e serena volta a jangada para a praia.

O ritual repete-se todo dia:
Enrola a vela,
Puxa a corda,
Limpa o samburá,
Deixa escorrer a água e o sal...

Lá vai a rendeira com sua almofada subindo a ladeira.
Lá vai a cocada de doce de coco, bem preparada,
Lá vai a saudade plantando emoção
Fazendo morada no meu coração!

domingo, 19 de agosto de 2007

O RELÓGIO E O RETRATO


O RELÓGIO E O RETRATO
( Gracinda Calado)

Confesso que sinto um grande encantamento pelo relógio.
Dele dependemos a maior parte do tempo.
Entregamos nossa vida e nosso destino em suas mãos vadias de lidar com o tempo.
Tece as horas embaladas pelos carinhos de casais de namorados.
Anuncia o tempo que foi gasto nos devaneios, nas disputas e nas concorrências da vida.
Quem nunca possuiu um relógio? Certamente não sabe de que estou falando agora.
O retrato e o tempo são amigos, neles registramos o passado e o presente: No retrato as marcas de um destino, uma juventude ultrapassada, marcas que se foram pelos caminhos da vida.
O relógio faz questão de bater a cada hora que se vai, avisando a todos que o tempo já passou!
Não sei se eu fique amiga do tempo, sem ver o relógio nem revelar meus retratos. Há outros que preferem sofrer a deixar de ver o relógio,e as horas batendo loucas pra FUGIR.
Grande invenção, o relógio, boa invenção o retrato, neles marcamos histórias, contamos passados, fugimos para o futuro, sempre a olhar pelo relógio, e o relógio não pára de avisar as horas que passaram e as que hão de vir. Olhe o retrato e na parede junto ao relógio há uma história inteirinha de vida a sua espera!

sábado, 18 de agosto de 2007

CONVERSA COM A LUA

CONVERSA COM A LUA
Gracinda Calado

Olho no espelho para ver meu rosto, só sombras vejo!
Ligo o rádio para ouvir uma canção, só ouço vozes e lamentos!
Passo calada nas ruas desertas da noite, só vultos sombrios desfilam
Compassadamente...

Olho a lua triste, fria, distante a me olhar solitária e a me dizer:
“leva um pouco do meu luar para iluminar teu olhar,
Guiar teus passos nas pegadas da noite,
Branquear teu sorriso, ouvindo uma canção,
Esquecer os lamentos do teu coração.
Olha-me como estou solitária, porém feliz,pois cumpro
O meu destino de iluminar e aquecer os corações que se abrem para o amor!
Volte a olhar no espelho...serás uma nova mulher,
Uma mulher renovada

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

FRAGMENTOS


O coração é partido pela separação, enquanto o sangue escorre, fragmenta-se a alma pequenina!
Os sonhos são pesadelos no universo do cérebro confuso, repartidos em momentos.
Os sonhos perdidos são jogados ao vento, e voam no ar perdidos em fragmentos.
No peito o pulsar febril de uma alma ardente, queima a chama de um amor mal resolvido.
Encontros de outrora, desencontros de agora, passam perdidos numa noite escura.
Primaveras de ilusões e de paixões, loucuras e desafios, dedicados aos sonhos de um amor perdido. Fragmentos de nós dois, de uma vida que se foi, de uma saudade eterna, de uma linda história que mal começou!
Sigo meu destino, juntando os meus fragmentos, cada saudade é uma história.
Cada momento é uma vitória. No leito das ilusões, nos braços da solidão, cada pedaço representa a vida que ficou pra trás, eu junto os cacos e os pedaços e recomeço minha linda história!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

PAPOULAS

PAPOULAS
(Gracinda Calado)

Papoula pálida cor-de-rosa,
Chorões de pequeninas e mimosas flores,
Perfumam e enfeitam a vida,
Caem como lágrimas de amores!


Borboletas azuis em bando
Pousam em tua copa nua,
Sugam teu mel em mil beijos
Fogem fartas de desejos!

Ao ti ver assim caída e bela
Em forma de lágrima de alegria,
Sinto uma saudade singela
Da criança que eu fui um dia!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007


SENHORA DO SILENCIO
(INÁCIO LARRAÑAGAGA)


Mãe do silêncio e da humanidade, tu vives perdida e encontrada no mar sem fundo do Mistério do Senhor.
Tu és disponibilidade e receptividade.Tu és fecundidade e plenitude. Tu és atenção e solicitude pelos irmãos.
Estás revestida de fortaleza. Resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual. És a Senhora de ti mesma antes de ser nossa Senhora.
Jamais se viu figura humana de tamanha doçura, nem se voltará a ver nesta terra uma mulher tão inefavelmente evocadora.
Envolve-nos em teu manto de silêncio e comunica-nos a fortaleza de tua fé, a altura de tua esperança e a profundidade do teu amor. Fica com os que ficam e vem com os que partem.
Ò mãe admirável do silêncio, Maria!

terça-feira, 14 de agosto de 2007


A CASA DA MINHA INFANCIA

(Gracinda Calado)

Minha casa acolhedora amiga,
Foste sacrário santo da verdade
Refúgio de uma lembrança antiga
Retrato vivo de uma cruel saudade!

Casa velha amiga da primeira dor
Primeiro amor da minha juventude,
Espelho da minha alma adormecida
Dormem contigo recordações de amor!

Suas paredes fortes e seguras
Seguram o tempo com suas histórias,
Guardam segredos da felicidade
Contam vantagens, lutas e vitórias!

Inda que rompam-se tuas paredes,
Teu chão eu sempre hei de amar,
Lembro meu quarto, meu canto da rede,
Meus pais, meu teto querido, meu lar!

Conta pra mim mais uma história,
Sob o teu teto já não tenho medo,
Foram-se as bruxas, os contos de fadas,
A vida revelou-me todo o seu segredo!

QUEM SOU EU?

QUEM SOU EU?
( Gracinda Calado)
Sou aquela que passa e ninguém vê
A que busca no sonho uma razão
A que na noite escura se esconde,
Sou a semente de um novo alvorecer!

Sou o canto dos pássaros no arvoredo,
Sou o pio da coruja no telhado,
Sou a canção do mar lá no rochedo
Sou a chuva que corre no molhado.

Sou a lua que nasce depois some,
Sou a brisa que passa joga a rede,
Sou o trigo que nasce mata a fome,
Sou a água que cai e mata a sede.

Sou o sonho que ninguém sonhou,
Sou aquela lembrada por ninguém,
Sou a vida que o sonho carregou
Sou a pedra no sapato de alguém.