quinta-feira, 21 de julho de 2011

PENSE EM MIM...


Gracinda Calado
Pense em mim ao ouvir essa música que fala de nós dois.

Pense em mim quando a chuva cair devagar.

Quando o orvalho da noite molhar teus cabelos,

Pense em mim quando a lua sair majestosa e desconfiada.

Pense em mim ao ver uma flor se abrir como um sorriso de criança,

Pese em mim quando as estrelas pouco a pouco aparecerem no céu,

Quando a noite escura espalhar seu negro véu,

Pense em mim ao ouvir o canto mavioso dos pássaros,

Pense em mim na longa estrada empoeirada de nossos caminhos.

Pense em mim quando seu coração bater acelerado,

Pense em nós dois e nos dias de festas que éramos felizes,

Pense em mim meu amor, eu estarei sempre pensando em você!

terça-feira, 19 de julho de 2011

O CIRCO


Gracinda Calado

A coragem e audácia do homem me encantam.

Jogos de luz no ar, tons coloridos e brilhantes.

No turbilhão de luzes e de cores aparecem os animais.

Carrosséis de cavalinhos desfilam com garbo

E o picadeiro vibra loucamente!

O elefante no ritmo da moda balança o pezinho

E dança de emoção!

Agora o cavalinho exibe seu sapateado

Ao som do clarim e do tambor.

O homem é o domador selvagem,

O animal fera adestrada...

Cordas bambas no ar, lonas, trapézios e arames,

O homem avança corajoso, esquece o mal,

Lança-se destemido no fio de metal:

Daqui pra lá, de lá pra cá, tudo é normal!

O jovem malabarista se apresenta,

Corpo, braços e mãos se agitam ligeiros.

É inconfundível a magia do circo!

Danças de luzes, jogos e ações,

Incrivelmente tonto o embriagador de paixões

Consegue embriagar toda a platéia!

O palhaço, ah! O palhaço louco

Cômico engraçado consegue conquistar corações,

Identifica-se com a alma infantil.

Passo matreiro agitado, brincalhão, feliz, atrapalhado,

Provoca gargalhadas, não chora.

Ri a fantasia. Consola e anima.

Brilha, enche a vida de alegria!

sábado, 16 de julho de 2011

SE EU TE ENCONTRAR...


Gracinda Calado

Quando a noite vem chegando com seu véu noturno,

Paro e penso em te encontrar na garoa fina que cai.

O mar silencia o som das suas ondas para te esperar.


A noite cai trazendo com ela a solidão dos poetas.

No céu as estrelas piscam esperando uma resposta minha,

Para que eu possa te encontrar e realizar meu sonho de felicidade.

Se eu te encontrasse seria tão bom, tão romântico, uma noite assim!



A areia fina da praia se estende tal qual um manto branco,

As estrelas soltam beijos de luz na esperança de te encontrar.

A lua chega para te receber e te acolher em seus braços de brilhantes.

Num só abraço te enlaçarei com meus braços fortes nessa noite azul.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

AS ANDORINHAS: MEMÓRIAS DE BATURITÉ

Gracinda Calado

As andorinhas vivem nas torres das igrejas.

Passam ligeiras como relâmpagos.
No verão elas disputam os lugares com os morcegos nos telhados.
À tardinha voam ligeiras para os seus ninhos.
Chegam em bandos como se chegassem para a guerra.
Obedecem a um comando de voz que só elas entendem.

Geralmente se localizam nos lugares mais altos das torres das igrejas.
Ali elas constroem seus ninhos, onde os homens não alcançam.
As andorinhas dormem cedo e pela manhã voam em bando fazendo algazarra.

Sempre gostei das andorinhas.
Elas defendem seus filhinhos contra os predadores.
São vidas cheias de liberdade e alegria!

As andorinhas são lembranças da minha infância,
Do tempo em que eu era feliz.
Voam rápidas, sem destino, sem hora,
Vestidas de preto jovens senhoras,
Protegem os filhotes nos seus ninhos.

Jamais alguém se manifestou um dia
Criar uma andorinha na gaiola.
Às vezes tenho dúvidas deste pássaro
Se ele é mesmo irracional...
Pois na vida defende-se do mal.

Pássaro negro, rápido, aventureiro,
Viuvinha, feliz é a andorinha,
Não dá bolas, jovem senhora,
Seu canto jamais alguém ouviu
Mesmo assim ela é feliz
Lá no cume da torre da matriz.

domingo, 10 de julho de 2011

LEMBRANÇAS DOS FOLGUEDOS


Gracinda Calado

Debaixo de teus cajueiros o tempo passava depressa, como os amores da juventude e as águas de verão.

O sol batia em nossa pele bronzeada, envolvida no cloro da piscina que amenizava nossas férias no mês de junho. Eram esplêndidos os folguedos de ‘são joão’, as fogueiras, as comidas de milho e tapiocas, as músicas regionais nordestinas e a paçoca de carne de sol!

Enquanto a música tocava, todos nós nos envolvíamos nos assuntos de família e nossa mãe nos chamava para o almoço ou jantar, e o aluá e o milho verde depois assado na fogueira. Era costume fazer fogueira e no dia seguinte recolher as cinzas, que eram jogadas nas plantas para que prosperassem.

Era assim durante as férias: muitas brincadeiras, banho de piscina, muitas frutas e reunião de família, sem darmos conta do tempo que passava e a conversa rolava por muitas horas e muitas histórias e controvérsias vinham à tona nessa hora.

Quando o cansaço chegava armávamos as redes no alpendre para um rápido cochilo. As visitas não paravam de chegar, e logo nos uníamos a todos ,numa breve animação!

Como eram doces os dias felizes no sítio “Boa Vista”!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O SILÊNCIO DA MINHA ALMA


Gracinda Calado

Depois de descobrir as belezas do coração,

Deixei que a alma seguisse o destino da lua,

E encantar-se pelo luar, pelo silêncio, pela solidão!

É no silêncio e na solidão que a minha alma chora,

É na claridade da lua que a minha alma ouve a música dos anjos.

Depois que descobri o som do silêncio não mais estarei só.

É na oração que ouço mais nítido o som do silêncio,

E na contemplação do céu, a lua silenciosa me encanta!

É no silêncio de minha alma que ouço o palpitar de meu coração, o compasso das horas, o som do universo, em versos transcendentais e me curvo ao esplendor da natureza infinita.

É no silêncio da minha alma que meus olhos derramam água viva de amor em preces e meditações.

O silêncio da minha alma é o cantar das águas serenas do riacho que desce das montanhas.

É no silêncio que contemplo o divino e imortal.

É no silêncio de minha alma que entendo a bênção e a dádiva perene da vida!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O QUE É SAUDADE?

Gracinda Calado

Saudade, não significa tristeza, melancolia,
Sentimento amargo, depressivo, falta de alegria.
Saudade é sentimento sublime que só as almas puras
Sabem interpretar, no fundo do coração.

Saudade é entre o eu e o outro, uma ligação.
Gesto sublime de Deus para nos unir a alguém,
Que queremos bem, que nos faz falta também!

Saudade é necessidade de ver, sentir, sem mentir...
Saudade é explosão de amor no fundo da alma,
Rebentos de muitas lágrimas que choram o vazio...

Saudade é a dor que dentro do peito se apavora,
Sentindo que vai morrer seu amor a qualquer hora,
Saudade é mistério de Deus criador de nossa alma,
Controlador de nossa dor, que nos transporta e acalma,
Une o meu eu ao meu tu oculto e invisível amor.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A CASA DA MINHA INFÂNCIA

(Gracinda Calado

Minha casa acolhedora amiga,

Foi sacrário santo da verdade

Refúgio de uma lembrança antiga

Retrato vivo de uma cruel saudade!


Casa velha amiga da primeira dor,

Primeiro amor da minha juventude,

Espelho da minha alma adormecida

Dormem contigo recordações de amor!

 
Suas paredes fortes e seguras

Seguram o tempo com suas histórias,

Guardam segredos da felicidade

Contam vantagens, lutas e vitórias!

 
Inda que se rompam tuas paredes,

Teu chão eu sempre hei de amar.

Lembro meu quarto, meu canto da rede,

Meus pais, meu teto querido, meu lar!


 
Conta pra mim mais uma história...

Sob o teu teto já não tenho medo,

Foram-se as bruxas, os contos de fadas,

A vida me revelou todo o seu segredo!

Baturité - Ceará.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A JANELA


Gracinda Calado
Pela janela aberta de meu quarto sigo os passos do vento, sigo o brilho do sol nas pedras de calçamentos onde todos os dias passam centenas de pessoas que levam em suas bagagens as decepções de amores, os dissabores da vida, a solidão da alma, o ranço dos preconceitos e as injustiças dos homens.
Pela janela vejo a noite chegar tomando conta do poente escurecendo a rua que agora está cheia de sombras e vultos misteriosos e só se dissiparão no amanhecer de um novo dia.
Pela janela vejo o homem do povo que empurra sua carrocinha em busca de alguns trocados vendendo cachorro quente aos famintos do espírito...

Enquanto isso, mulheres mal vestidas se expõem aos olhares dos homens numa manifestação sensual exibindo seus decotes e suas saias curtas...
Através de minha janela vejo casais que desfilam tranquilamente na penumbra da noite de mãos dadas, apaixonados festejando os momentos de ternura e paixão pelo dia dos namorados. São cidadãos do mundo, futuros pais, avós...
Alguns carros passam apressados, em busca da realização do prazer no outro lado da rua, enquanto o dia não chega!
Na janela sonho com flores e músicas, lembro-me de festas e comemorações, enquanto o sono não chega para me fazer sonhar com amores e paixões!

sábado, 11 de junho de 2011

VIA SACRA

Gracinda Calado
Fiquei surpresa quando o conterrâneo, José Airles me chamou atenção por email, de um erro nas estações da via sacra da igreja matriz de Baturité, citado pelo jornalista Augustinho, carinhosamente assim o chamo, que “as ultimas estações estão trocadas”.

Em se tratando de uma cidade de uma religiosidade ímpar, como minha querida terra, de um povo católico quase a totalidade de seus habitantes, não se desculpa o erro. Obedecendo ao caminho dos últimos momentos de sofrimento de Jesus, rumo ao sacrifício do calvário, a história não pode mudar a sequência dos acontecimentos, cada fato tem o seu significado espiritual, teológico, escatológico etc.

Será que nós os filhos da terra sempre aprendemos errado “esse caminho”?

Considero grave se, os nossos representantes da igreja se descuidaram de consertar a troca das imagens.

Como formanda em Teologia pela Faculdade Católica de Fortaleza, chamo atenção ao Sr. Pároco que dedicação especial tem por essa paróquia tão atuante e participativa, que reveja o erro para que os fiéis não aprendam a caminhar com Jesus de uma forma diferente.

O povo católico de Baturité, sempre primou pela sua espiritualidade, seu compromisso com Deus e com a igreja.

Aproveito a oportunidade para elogiar os serviços de comunicação da cidade, tanto pela internet como rádio e televisão, que levam muito longe o nome de nossa querida Baturité, mostrando-lhes suas belezas e seu conceito de capital do Maciço.

As Estações da via Sacra nos ajudam a meditar, a percorrer um caminho espiritual, e compreender melhor o sofrimento de Jesus por nós.

Foi assim que aprendemos dentro das salas de aula do nosso querido colégio N. Senhora Auxiliadora, e Domingos Sávio.

Nosso apelo aos que professam a mesma doutrina, aos que freqüentam e participam dos mesmos cultos dominicais na matriz, que zelem pelo nosso patrimônio, que além de ser católico é também cultural e artístico.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

DIA MORNO EM MINHA ALMA

Gracinda Calado
Depois de uma manhã triste, sinto-me perdida em meus pensamentos...

A voz do vento suaviza a natureza deixando tudo mais claro e limpo.

Meu coração pulsa rapidamente como se quisesse parar. Foi assim o dia todo.

A tarde é morna. O calor incomoda a alma da gente.

Olho a rua, está deserta como o meu coração, deserto de emoções, de saudades... Cheio de inquietações, ao pensar que deixei para trás tudo o que não tive coragem de realizar no passado

Novos conceitos sobre a vida, sobre o amor, sobre a verdade de Deus, sobre os mistérios do universo, deixei de procurar, de pesquisar, à procura de novas fantasias, novos projetos, novas esperanças, enfim ficou a fé que me sustenta e me embala.
Ouço ao longe um canto de bem-te-vi despedindo-se do dia, enquanto minha alma chora as lembranças de minha terra querida, serpenteando as verdes serras do maciço de Baturité.

O meu coração se aquece meio as emoções e os pensamentos da infância, quando eu tinha ainda meus pais. O que foi plantado em mim, não morrerá nunca!
A tarde morre, despede-se do sol e reverencia a lua que chega calmamente esbanjando sua majestade e beleza.

Anoitece! Na rua os boêmios se encontram para o encontro habitual. Tento sentir a brisa amena e tento conversar com a lua enquanto as estrelas começam a aparecer no céu!
No céu, espero ver alguém que já partiu, alguém que muito amei.

E no encontro com o místico e o irreal, encontro alento para o meu mal!

sábado, 4 de junho de 2011

ONDE ANDARÁ O MEU AMOR?


Gracinda Calado
Uma borboleta branca pousou cansada em minha janela, ficou ali parada, linda transparente, fitava-me como se quisesse dizer alguma coisa.

Em minha mente ela entrara com toda liberdade, como se fizesse parte de mim.

Quem era aquela borboleta?
Senti-me uma borboleta que voa sem rumo para qualquer lugar.

Voei, voei, procurei o meu amor nas flores do jardim, nas águas silenciosas do lago, nas árvores frondosas da colina, na relva verde dos caminhos, nos telhados avermelhados dos casarões...
Caminhei em direção ao sol, procurei-o no reflexo do luar, no espírito das estrelas, beijei as ondas do mar, deixei-me levar pelo vento para te encontrar
Onde andará o meu amor?

Talvez se esconda em alguma estrela, ou nas pétalas de um gira sol, nas asas de um passarinho, na escuridão da noite, na luz do amanhecer...

Quem sabe, na borboleta que veio a minha janela com vontade de falar, de me ver, me chamar, para juntos voar para além do infinito céu azul!
Onde andará o meu amor, que nunca mais quis voltar?
Será que ele se esqueceu do nosso amor, o nosso pacto nupcial?

Deixou o triste adeus no vazio da solidão.

domingo, 29 de maio de 2011

QUERIDA AMIGA BEATRIZ

Gracinda Calado

Hoje tive uma grande alegria em saber que o passeio de eis-alunas salesianas de Baturité foi muito bonito e cheio de recordações e saudades. Confesso ter tido inveja de todas as minhas colegas, principalmente aquelas dos anos sessenta, época em que explodíamos de dentro para fora o amor e a amizade sinceros, as brincadeiras simples e gostosas, no convívio santo e maravilhoso de nossas queridas mestras, como ir. Nazareth Nóbrega, ir. Antonieta Cavalcanti, Ir. Inácia, Ir. Teixeira, pequena grande alma que ao piano criava e recriava músicas dos deuses que embalavam nossas almas de emoções indescritíveis para a época.

Nosso colégio tão acolhedor!
Nossas vidas cheias de energia, de planos para um futuro ainda distante, não poupávamos segredos e projetos...

Agradeço a todas as minhas mestras tudo o que delas aprendi naquele convívio de pureza e de muita paz, o amor a Deus e a devoção a minha querida mãezinha do céu, que até hoje eu venero com devoção e amor. “Rainha gloriosa”, Nossa Senhora Auxiliadora, que minha mãe me ensinava à devoção do santo terço todos os dias, e hoje rezo, muitas vezes o terço “caindo” sobre os lençóis de tanto sono, pelo cansaço do dia a dia.

São tantas as saudades, amiga, aquela turminha de professorandas, que se espalharam por esse Brasil, por essas terras e que há tempos que eu não as vejo!
Saudades da nossa terrinha, tão linda, verde, cheirando a flores dos seus jardins enfeitados de angélicas e borboletas...

Saudades da nossa Igreja Matriz, onde fui batizada pelo Pe. Artur Redondo, onde fiz minha 1ª Comunhão e onde me casei.

Saudade de meus pais, meu querido Aldemar, meus irmãos, alguns que já partiram para a casa do Pai, como meus pais.

Saudade de ti querida amiga, que desde a infância conservamos uma sincera amizade, e que aqui agradeço por isso, é uma dádiva de Deus!

Meu abraço de saudades da amiga: Gracinda Calado

terça-feira, 24 de maio de 2011

A VOZ DO CORAÇÃO


Gracinda Calado
Hoje ouvi uma voz que soava forte em meus ouvidos

Um canto triste, cheio de melodias suaves,

Ao mesmo tempo, ouvi um choro que saía da minh`alma.

O choro era forte, mas o canto era lindo, harmonioso,

Sem ruídos nem mistérios, naquela noite cheia de graças.

Enquanto o som invadia a amplidão do espaço, um raio

De luz apareceu no céu, fulgurante, alucinante,

E a minha alma embriagada pela voz melodiosa,

E pela luz do céu, chorou, sorriu, clamou o amor!

A voz saía do coração inflamado pelo grande amor,

E o silencio se fez sentir depois na amplidão do universo;

O coração falava baixinho, sem incomodar,

Silenciava esperando a hora de cantar e dizer ao mundo:

Como é grande o meu amor por você!

domingo, 22 de maio de 2011

O JARDIM DE MINHA MÃE


Gracinda Calado
A natureza foi pródiga na cidade de Baturité, onde o clima ameno e o ar puro privilegiaram os roseirais, as avencas e as samambaias, de inverno a verão.

Minha mãe admiradora da natureza, apaixonada pelas flores, ficava horas esquecidas cuidando das plantinhas, cuja satisfação era como um remédio para ela.

O lugar era propício ao plantio de flores, devido à fartura de água e adubos.

Logo cedo ela entrava para o jardim e começava um verdadeiro ritual: Limpava os matinhos e as ervas daninhas. Limpava canteiros de pequeninas flores, para que não fossem dominadas pelas maiores. Com um pequeno aguador, cuidadosamente aguava todas elas, a manhã inteira...

Em um canto do jardim, alguns jasmins, orquídeas, bougaris, todos branquinhos e perfumados; em outro canto, rosas vermelhas, amarelas, em tom coral, de odores embriagadores, como os pequeninos miosótis azuis, que gostavam de se esconder entre as folhagens verdes dos mimosos canteiros.

Na parte mais alta do jardim, cresciam as samambaias, as avencas, os cravos amarelos alaranjados. Do outro lado bem cuidado, as dálias, as verbenas, as açucenas e as margarida

No pé do muro enfileirava as pacavilhas vermelhas e dava um toque de arremate no jardim, e quando a noite chegava o perfume dos florais se misturava ao som dos sapos e das pererecas, que o vento gratuitamente espalhava por toda a redondeza.

O cheiro de minha mãe era próprio das flores que ela cultivava e todos os dias lhes abençoava.

Ao ver minha mãe sempre naquele lugar, era como uma rosa entre o roseiral!

Pela manhã as borboletas vinham saudar as flores e alegrar o coração de minha mãe!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A DESPEDIDA DO AMOR SEM FIM


Gracinda Calado
Depois de uma noite de tormentas e insônia, ele partiu,

Partiu para sempre sem dizer nenhum adeus.

Apenas seus olhos falavam pelo seu coração!


O sol aparecia tímido, com se não quisesse aparecer,

Porém a solidão que reinava nos corações, chorava

De dor pela despedida calada e fria do momento.


Uma brisa forte passou, com se quisesse destruir tudo,

Como chorava um coração amargurado pela despedida,

Enquanto a natureza anunciava que a vida continua...


O dia triste amanheceu, ele partiu, mudo sem adeus,

Apenas um beijo frio adormeceu o coração que chorava,

Dilacerado pela dor da separação, do triste fim!


Nas lembranças, os momentos misteriosamente infinitos,

Que marcaram suas vidas, a história de um amor sem fim...

Um amor que nunca se acabou mesmo com a força do adeus!

domingo, 15 de maio de 2011

UMA NOVA ESTRELA

Gracinda Calado
Eis que surge no céu uma estrela brilhante,

Que estrela é essa, não conhecia ainda,

Ela brilha demais, é emocionante!



Como será seu nome ou sobrenome?

Parece com um raio de luar, tenta ofuscar,

Tenta falar, tenta sorrir, tenta dizer que:

“Estou aqui para te ver, te ouvir e te amar!"


Meu nome é Tarcilia, minha luz é saudade,

O meu som é Calado do meu sobrenome,

Vocês já sabem quem sou no firmamento,

Moro onde moram os anjos e o Senhor da Verdade!


Aqui não tem choro, só amor, felicidade!

Tudo aqui é certinho como o manto de Maria,

É respiração de Deus, lágrimas dos anjos,

É raio de luz infinita por toda eternidade!





Fortaleza, 11 de Maio de 2011    (Uma homenagem a minha querida irmã Tarcilia Calado Lima.)

terça-feira, 10 de maio de 2011

ONTEM COMPLETEI ANOS...


Gracinda Calado
O que acontece quando a gente completa mais um ano de vida? .não senti, não doeu nada!

Completei 70 anos e não sinto que o tempo passou.

Se não fosse a vontade de rever meu passado, novamente estar com meus pais, brincar de roda, cantar canções, ciranda e cirandinha, e tantas outras coisas simples que a gente nunca esquece!

Às vezes me pego lambendo a bacia onde ficou a massa do bolo que minha mãe fazia, sentindo o perfume das frutas maduras do pomar, o cheiro de mel de cana da serra saindo dos caldeirões para fazer rapadura, ouvindo o ronco das águas descendo no rio em dias de chuva; dou imensas gargalhadas em pensar que subia nas árvores para colher frutas... Não posso esquecer minhas bonecas de pano que minha mãezinha fazia!



Quando penso nessas coisas, é como fazer uma grande limpeza na minha alma, é uma doce alegria de ter vivido e convivido com essas coisas simples, mas tão significantes para mim.

Lembro-me de meus irmãos, nas brincadeiras de meninos levados, e minhas irmãs preocupadas com o visual para impressionar os namorados!!!



Hoje é dia de tudo isso, menos de chorar pelo que passou.

Refiz meus plenos, superei meus desenganos, suportei minhas saudades, abracei meus filhos, beijei meus queridos netinhos, recebi afetos dos amigos e amigas, agradeci a Deus por ter me poupado até hoje junto aos que me querem bem.

Obrigada Senhor pela vida!

10/5/2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

SOU ASSIM...

Gracinda Calado
Em meu caminho às vezes tento caminhar em direção ao sol.

Oriento-me pela bússola da razão e às vezes encontro-me entregue ao coração.

No meu íntimo calada ponho-me às vezes a remoer pensamentos, e num momento acordo para a vida deleitando-me com tudo que há de bom ao meu redor.

Tento olhar o céu com os olhos dos poetas e sonhadores, acordo em sedas e cetins na relva fresca das madrugadas frias da ilusão.

Tento voar nas asas da saudade quando não encontro chão.

Meu pensamento briga, chora, sofre, procurando um ninho pra ficar ou um colo quente como abrigo.

Nas caladas da ilusão sou como o pássaro que foge ligeiro em busca de outros ares pra voar e terra firme pra pousar.

Sigo o caminho do céu, esforço-me pra chegar. Em vão rastejo-me na relva rasa dos jardins do coração.

Canto uma canção que sempre cantei quando não tenho a quem segurar a mão, e o som da minha voz sustenta-me na hora em que eu mais preciso.

Estou cansada de esperar pelos favores deste mundo, confio na força do universo e na energia das estrelas.

Só sei que dentro do meu coração mora um anjo que me faz feliz e isso já me basta!

ESTE TEXTO JÁ FOI POSTADO UMA VEZ, PORÉM HOJE É MEU ANIVERSÁRIO, E CASUALMENTE ACHEI QUE DEVIA COLOCÁ-LO MAIS UMA VEZ, PARA QUE MEUS ACOMPANHANTES ME VEJAM COMO SOU, NOS MEUS SETENTA ANOS. Beijos!

A FOME


Gracinda Calado
A maior doença do homem é a fome.

Ela humilha, deixa o homem igual aos vermes do lixo.

Quantas vezes vemos na televisão rostos esquálidos, desfigurados, braços magros, corpos sem vida sem animo para andar; lábios sem abrir um sorriso, olhos inchados de chorar e não dormir com vontade de um pedaço de pão para matar a sua fome ou de seus filhos.

Presenciamos muitas vezes nas feiras da cidade, restos de frutas e verduras que são jogadas aos animais; sobras de carne ardidas e mal passadas nas valas dos lixões e devoradas pelos pobres, miseráveis que arrastam os restos como iguarias de primeira.

Crianças que se jogam dentro dos tambores ‘do lixo’ dos supermercados, à procura de um pedaço de pão ou de um biscoito. Crianças que choram a falta de um copo de leite quando amanhece o dia.

Mulheres que amamentam seus filhos nos seus seios murchos sem nada para lhes oferecer. Muitas vezes elas choram e se desesperam com tal situação.

Muitas vezes crianças abrem os lixos ricos dos barões á procura de um sapato ou chinelo de borracha para forrar seus pés.

Miséria, muita miséria, é o que vemos toda hora na nossa cidade e em todos os lugares do mundo.

O homem está morrendo de fome, doença que só cura com alimento, sem ele não escapa ninguém.

Quanto mais vemos casos como estes, em nossas próprias casas sobras de comidas são jogadas fora, não se destinam a quem precisa. Dariam para alimentar muitas famílias.

O estrago é total, sem piedade, sem misericórdia, sem caridade.

A fome mata e maltrata, homens e animais.

O homem com fome, não tem dignidade. Não tem cidadania.

Não reconhece Deus seu criador. Não tem vez, nem voz. Não é ninguém.