quarta-feira, 18 de março de 2009

ESTAREI EM SUAS LEMBRANÇAS


ESTAREI EM SUAS LEMBRANÇAS
Gracinda Calado

(Pode ser lido de baixo para cima).

Enquanto você me guardar,
Estarei sempre em suas lembranças.
Viverei sempre em seus pensamentos,
Enquanto você me guardar.

Enquanto você me guardar,
Estarei no murmúrio do vento,
Estarei no perfume das flores,
Estarei no azul do firmamento.

Tocarei você com a luz da lua,
Com o brilho das mil estrelas,
Dançarei para você na noite nua,
Beijarei seus lábios com sede de amar.

Enquanto você me guardar,
Você será o meu lindo cantar
Nunca deixarei você sozinha,
Enquanto você me guardar.
(Direitos reservados)

segunda-feira, 16 de março de 2009

PRECISO FICAR SÓ


PRECISO FICAR SÓ
Gracinda Calado

Preciso ficar só na minha companhia.
Preciso ouvir a voz do meu coração,
Falar com ele, me abrir com ele,
Deixar cair as amarras da solidão.

Preciso ficar só comigo mesma,
Sentir que no meu interior tem vida,
Vida vivida de maneira egoísta e erma.

Preciso de mim mesma para descobrir
A força do amor que mora em meu peito,
Este amor triste, desconfiado, sem jeito.

Preciso ficar só, alçar vôos mais altos,
Chegar aos céus com minhas próprias asas,
Andar com os meus próprios pés no chão,
Deixar cair a máscara que cobre a decepção...

Preciso ficar só com meu pensamento,
Sentir a força do vento em meu corpo frio,
Beber na fonte do amor o meu alimento,
A essência da minha longa existência.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A FOME


A FOME
Gracinda Calado

A maior doença do homem é a fome.
Ela humilha, deixa o homem igual aos vermes do lixo.

Quantas vezes vemos na televisão rostos esquálidos, desfigurados, braços magros, corpos sem vida sem animo para andar; lábios sem abrir um sorriso, olhos inchados de chorar e não dormir com vontade de um pedaço de pão para matar a sua fome ou de seus filhos.

Presenciamos muitas vezes nas feiras da cidade, restos de frutas e verduras que são jogadas aos cães; sobras de carne ardidas e mal passadas nas valas dos lixões e devoradas pelos pobres, miseráveis que arrastam os restos como iguarias de primeira.

Crianças que se jogam dentro dos tambores do lixo dos supermercados, à procura de um pedaço de pão ou de um biscoito. Crianças que choram a falta de um copo de leite quando amanhece o dia.

Mulheres que amamentam seus filhos nos seus seios murchos sem nada para lhes oferecer. Muitas vezes elas choram e se desesperam com tal situação.

Muitas vezes crianças abrem os lixos ricos dos barões á procura de um sapato ou chinelo de borracha para forrar seus pés.

Miséria, muita miséria, é o que vemos toda hora na nossa cidade e em todos os lugares do mundo.
O homem está morrendo de fome, doença que só cura com alimento, sem ele não escapa ninguém.

Quanto mais vemos casos como estes, em nossas casas as sobras de comida são jogadas fora, não se destinam a quem precisa.
O estrago é total, sem piedade, sem alma.

Sobras de alimentos são jogadas no lixo sem piedade, que dariam para alimentar uma família.
A fome mata e maltrata.
O homem com fome, não tem dignidade.

quarta-feira, 11 de março de 2009

QUANDO A NOITE CAI


QUANDO A NOITE CAI

Gracinda Calado

Tudo fica calmo quando a noite chega com os últimos raios do sol por sobre os montes serpenteando a cordilheira.
Um ponto luminoso se avista ao longe se despedindo da terra, o sol.
Anoitece na minha cidade e nela muitos adormecem e sonham com belos “amanheceres”.
Nos seus sonhos mil fantasias, mil alegrias enfeitam seus “ sonhares”.
Nos becos e nas vielas acontecimentos estranhos, encontros e desencontros acontecem marcando a solidão da noite escura.
Nos salões suntuosos luzes se ascendem esbanjando “festejares” solenes.
Desfilam entre sedas e cetins mulheres lindas enfeitadas de cores e de brilhos, simulando uma felicidade falsa e passageira.
Nas ruas e nos botecos, homens procuram alento num copo de vinho ou de cerveja para esquecerem as desilusões de um grande amor do passado ou de um novo e furtivo caso amoroso.
Sinais de encantamento no crepitar das luzes emocionam os transeuntes noturnos nas praças e nas ruas principais da cidade.
Um coração chora a falta de uma boa companhia na noite que tem tudo para ser feliz.
Uma canção se ouve ao longe para amenizar a solidão de alguém que ama a noite e faz dela seu momento preferido.
Quando a noite cai, muitos corações caem com ela na depressão do dia exaustivo que passou na esperança de que a noite traga alento para suas frustrações.
Poetas e apaixonados pela vida aproveitam para saborear os versos e os reversos da inspiração noturna que se faz presente em seus corações.

sábado, 7 de março de 2009

VEJO DEUS




VEJO DEUS
Gracinda Calado

Numa folha que cai e é levada ao vento,
Na força do meu pensamento.
No murmúrio das águas cristalinas,
No brilho das cores purpurinas.
No cantar dos passarinhos,
Na perfeição de seus ninhos.
Nas flores que brotam no rochedo,
Nos pássaros que cantam no arvoredo.
Na amplidão do infinito,
No teu sorriso bonito.
Na música suave dos pardais,
Nas belas árvores dos quintais
Na água que cai dos temporais,
Nos tristes verdes madrigais.
No olhar sereno de um ancião,
Nos olhos tristes de um irmão,

No caminhar lento dos velhos,
No tremor de suas mãos
No beijo sincero de um pai,
No sorriso de uma mãe,
No abraço de um filho,
No carinho de um irmão.
.

Vejo Deus no teu sorriso,
Que me leva ao paraíso.
Vejo Deus na melodia,
Vejo Deus na alegria,
Vejo Deus na luz do dia
Vejo Deus na fantasia.
No sol que aquece a vida
Na lua que nasce atrevida
Nas noites que embalam meu sono,
Em místico e suave abandono.

quarta-feira, 4 de março de 2009

REFLEXO

A FACE DO ESPELHO ( REFLEXO)

Gracinda Calado

A face do espelho é uma face nua e crua.
Ele reflete minhas fantasias, as alegrias, as tristezas do dia a dia.
A face do espelho me diz tudo que eu preciso saber e ninguém tem coragem de falar.
Dias após dias a ele me entrego mirando minha pele macia e os olhos de minha alma.
Hoje ele me fala de sinais de experiência e sabedoria, nas linhas curvas de meu rosto.
.
Anos após anos de tanta convivência meu rosto foi marcado no espelho e somente agora ele reflete minha verdadeira cara.
A face verdadeira de meu rosto.
A face nova do espelho não é a face de um rosto novo.
É o retrato pintado de um coração vivente, sensível, cheio de cicatrizes e de calos que a vida enfeitou com suas lembranças e suas saudades, e o olhar perdido das recordações antigas.
A face do espelho é a verdadeira face que um dia não me reconhecerá pelas linhas sombrias de meu rosto.

domingo, 1 de março de 2009

A COR MARROM


A COR MARROM
Gracinda Calado

Que seria do branco se não fosse o marrom com suas nuances claras e escuras trazidas pelo calor e a luz do sol!
Nos desertos as cordilheiras de areias de tonalidades variadas de marrom se misturam ao branco da areia e ao ouro do sol.
Nas grandes matas tropicais e florestas densas, animais de grandes portes de pele escura ou plumagens cor da terra desfilam suas belezas à luz do solístico confundem-se com plantas que nos dão seus frutos deliciosos.
O chocolate que consumimos extraídos do cacau, alimento exótico, sensual da cor de nossa pele morena.
No solo forte onde tiramos o barro escuro, jorra água límpida que mata a sede e serve de alimento para revigorar as energias perdidas e vitalizar nossas células.
No chão, folhas secas caídas ao solo voam ao sopro do vento, exibem o seu brilho natural e mais tarde se transformam em adubo para alimentar as plantas que nos dão seus frutos.
A pele macia e sedosa das mulatas que causa inveja a muitos estrangeiros, cuja mistura de raça, herança de nossos ancestrais originou a nossa cor. Nos músculos fortes e rígidos dos mulatos o cenário emoldurado dos trabalhadores da negra etnia de nossa brasilidade.
As árvores que exalam perfumes de suas flores escuras, sucos e chás nos servem de remédio e calmante como a ‘canela’, planta trazida da África para nossa flora tropical. Além de tudo as árvores que nos dão seus caules marrons de todos os tons, servem na fabricação dos móveis e de construção de casas e fortes habitações.
A cor marrom, da cor da terra que pisamos e dela tiramos o nosso sustento, um dia servirá de sepultura e guardará para sempre nossos corpos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

QUANDO OS IPÊS FLORESCEM


QUANDO OS IPÊS FLORESCEM
Gracinda Calado

Gotas de orvalho nas manhãs ensolaradas, parecem pérolas caindo, escorregando nos Ipês floridos.
Na multiplicidade de cores e de flores, nossa mente enche-se de ternura, nosso peito de alegria louca naquelas manhãs na serra.
Nos barreiros deslizando o barro escuro, parece que a natureza chora enquanto a lágrima cai serena.
Na folhagem o sol suga sua pele bebendo toda sua água cristalina.
Das alturas fileiras de Ipês se enrolam e se misturam as outras flores com vontade de abraçar. Milhares de cachos e flores pequeninas caem como chorões de cores, se misturam ao roxo, amarelo, azul e anil das flores ‘miosótis brasis’.
No chão a toda hora o vento tece um tapete de pétalas que logo se transformarão em alimento para as outras plantas.
No tapete de folhas secas os calangos fazem brincadeiras e correm atrás dos besouros que se afoitam em aparecer naquela hora de lazer.
Milhares de borboletas voam em direção ao sol para aquecer suas asas multicores.
No alto dos Ipês floridos pulsam corações pequeninos que cantam canções canoras no bico dos sabiás e dos canários, dos rouxinóis e dos pintados. O canto orquestrado se ouve a distancia como uma bela orquestra teatral.
No coração da serra, o nosso sangue pulsa ao ver os Ipês floridos e tanta beleza naquele lugar. O fôlego aperta o nosso peito ao testemunhar a grandeza exuberante daquele lugar! A natureza em festa sacia-se ao perfume dos Ipês floridos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

QUARTA FEIRA DE CINZAS


QUARTA FEIRA DE CINZAS
( Gracinda Calado)

E lá ficou meu coração!
Nos salões da minha vida,
Lá ficou meu olhar de jovem
Intenso, bonito, juvenil.

O cheiro de lança perfume no ar,
E os salões cheios de serpentinas,
Confetes, lantejoulas, purpurinas,
E um coração feliz na noite de carnaval.

A madrugada chega de mansinho
E os apaixonados bem juntinhos,
Abraçam-se cheios de mistérios
A noite leva com ela toda a alegria...

O folião sonhando acorda na rua,
Não vê que a noite se foi e o sol saiu.
Quarta-feira ingrata e malvada,
Arrasa corações, arrasta solidões.

Quarta que chega recolhendo restos
De nós dois, de foliões de ilusões.
Quarta das saudades e dos cacos
De sonhos das manhãs de fevereiro.

Na rua alguém chora a noite que sumiu
Ligeira, quente abrasadora, mágica,
Sensual, fagueira, chora o amor que partiu,
E agora até outro carnaval, adeus!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

SEMANA SANTA


SEMANA SANTA

Gracinda Calado


As manhãs eram fagueiras, deliciosas. O vento aparecia em forma de brisa beijando nossos cabelos. A casa era cheia de gente que passava pra lá e pra cá, sem canto certo pra ficar.
Quantos anos se passaram naquela casa ás margens do rio da minha infância! Na inquietação daquele dia ouvia-se a voz de minha mãe que não parava de falar na grande cozinha da chácara preparando o almoço do dia de Páscoa!
De longe se sentia o cheiro do bacalhau com coco no fogão à lenha e os bolinhos de bacalhau no forno!
Na brincadeira daquele dia de festa fazíamos de conta que jejuávamos e mamãe fazia de contas que acreditava. À hora do almoço era mágica! O melhor vinho, a melhor comida, a melhor sobremesa e a maior alegria da família, pois todos estavam reunidos para comemorar a ressurreição do salvador dos homens.
Depois do almoço novas brincadeiras, o banho de rio, enquanto esperávamos o sol declinar. À noite, as orações, e um ligeiro cansaço das movimentações do dia que passou!
Por que tudo mudou?
Hoje só tenho imagens e recordações fortes. Sinto cheiro, vejo cor,ouço as musicas que nos embalavam, ouço os gritos da garotada correndo solta pela casa inteira, a me chamar!
Meu pai, que figura maravilhosa! Abraçava a todos sempre com um sorriso nos lábios e no rosto a expressão da felicidade!
Nem me dei conta que o tempo passou! Nem me dei conta que estou só com minhas lembranças, que são só minhas e que levarei para sempre comigo onde eu for. Feliz Páscoa!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CARNAVAIS PASSADOS


CARNAVAIS PASSADOS
Gracinda Calado

Ainda lembro com saudades os dias de carnaval onde a fantasia dava lugar à ilusão de três dias de folia.
A música melodiosa e envolvente entrava em nossas cabeças e em nossos poros tomando conta de todo nosso ser.
Nos salões da alegria vultos se juntavam às alegorias, dançavam e desabafavam tudo que preso estava em suas almas e seus corações.
Casais de namorados brincavam agarradinhos, com carinho se beijavam como se a noite fosse a ultima de felicidade.
Outros pares se encontravam nos salões e repetiam momentos especiais de um pierrô com uma colombina na noite fatal do amor.
Corpos embriagados pela alegria, pelo vinho ou pela musica, deixavam-se entregar encantados com a magia daquela noite.
A orquestra não parava de tocar e os corações não paravam de bater forte no esplendor daquela noite mágica esperando a madrugada.
Desencontros se manifestavam pelos salões pela perversidade do ciúme de um arlequim que de tanto se apaixonar se entregou aos caprichos de uma alegria passageira.
Casais de namorados se conheceram e se encontraram naquela noite de encantamentos e guardam para sempre lembranças eternas de eternos carnavais de outrora.
Canções penetraram em nossos corações como sangue em nossas veias e permanecem para sempre gravadas em nossa memória.
Adeus aos foliões das noites embaladas pelas músicas e o cansaço de pular, vibrar, cantar e amar!

OLHA-ME...


OLHA-ME...

Gracinda Calado

Olha-me com olhos de quem vê a luz do dia,
Olha-me como se pudesses olhar no espelho.
Veja em meus olhos tua imagem pura
Eles são dois faróis a ti guiar na altura.

Abraça-me e me deseja muita sorte
Como quem fica e como quem parte,
Ampara-me nessa hora amarga,
Como quem carrega um fardo forte.

Fala comigo diz alguma coisa,
O silencio fala, mas não escuto,
Quero ouvir de tua boca ainda
Palavras de amor que tanto curto.

Beija-me como se o beijo fosse o ultimo,
Afasta-me de ti como quem foge,
Sinto-me forte nessa tarde fria,
Sem saber quem sou e quem tu és.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

FLORES NA JANELA


FLORES NA JANELA
Gracinda Calado

Canteiros floridos enfeitam meus dias,
Rosas de primavera perfumam minha alma,
Ramalhetes coloridos alegram nossas vidas.

Na janela meus canteiros de lindas rosas,
Insinuam tanta beleza e apagam as cicatrizes,
Recordações de primaveras amorosas.

Botões que desabrocham cores lindas,
Ao primeiro raio de luz do sol nascente,
Enchem de pura beleza as orquídeas.

Em meu peito de ilusões e de saudades,
Mora um canteiro de rosas que é só meu,
Em cada flor uma “saudade” tua,
Que em meu peito solitário floresceu!

Em cada flor te vejo alegre todo dia,
Em cada canto uma saudade amiga,
Em cada cor o teu sorriso é melodia,
Em cada perfume uma lembrança antiga.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O MISTÉRIO DA RESSURREIÇÃO


O MISTÉRIO DA RESSURREIÇÃO

Gracinda Calado

O túmulo se abriu, uma luz brilhou, Jesus ressurgiu no seu esplendor!
O céu se transformou, as nuvens escureceram mostraram o sinal.
O sinal do amor, da grandiosidade do mistério, da perfeição, da união de Jesus com o Pai. Completara-se assim a promessa do Salvador!
Subiu aos céus, para honra e glória de Deus e para nossa salvação!
Os apóstolos escondidos atordoados, inquietos, esperando uma resposta do mestre, quando de repente, as mulheres suas amigas, vão ao túmulo de Jesus.
Para seu espanto, ele havido desaparecido, subiu ao céu de corpo e alma, levando consigo o fardo de nossos pecados.
Nesses dias entrou em contato com seus amigos e comprovou tudo que havia prometido e acreditou na fé dos seus apóstolos.
Alegria no coração de todos os que amavam Jesus, os que o acompanhavam, os que criam nele e na força de suas promessas.
Uma luz brilhou e o túmulo se abriu, uma estrela surgiu e o céu recebeu o filho e Deus!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A DANÇA DAS BORBOLETAS


A DANÇA DAS BORBOLETAS
Gracinda Calado

Uma borboleta chegou muito faceira, invadiu o jardim e ficou.
Dançou e rodopiou na roseira.
Chegou assim de repente, sem pedir licença a ninguém.
Fez festa nas flores, sugou o mel de todas elas e dançou.
Chegaram outras borboletas...
Na dança das borboletas eu sonhei.
Na dança das borboletas eu imaginei você sorrindo...
Na dança das borboletas o seu amor era lindo...
Era lindo, colorido de cores sem igual.
A borboleta faceira era azul me entreguei,
A borboleta vermelha era a bailarina, dancei.
As cores rosadas eram das borboletas elegantes, não competi.
A borboleta amarela era a mais singela, atrativa e sensual...
No meu sonho eu era a borboleta lilás, agressiva, poderosa sem igual.
Você fazia parte do meu sonho, das minhas cores e da minha vida.
Você era a roseira preferida de todas as borboletas do jardim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

AMORES QUE VIVI


AMORES QUE VIVI
Gracinda Calado

Quantos amores eu vivi,
Um dia eu farei versos,
Rindo dos reversos
Do meu coração infantil.

Quantos amores conheci,
Amores de pai, mãe, irmãos,
Amores de esposo e de filhos,
Quantas canções eu cantei!

Quantos braços e abraços
Fizeram-me parar a solidão,
Quantos deles eu chorei,
Por mim choraram também.

Quantas vezes eu os beijei,
Chorei, sofri, sorri, brinquei,
Lembranças como brinquedos,
Que em toda a minha vida vivi.

Agora choro as saudades nos versos,
Que hoje faço viver em cada canto,
Recantos de algumas lembranças,
Que sobraram com seus encantos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

AQUI JAZ


AQUI JAZ
Gracinda Calado

Aqui jaz um corpo frio
Já foi sacrário da minha alma,
Corpo das minhas fantasias.

Libertou-se do medo e do egoísmo,
Foi refugio dos seus pensamentos
Cárcere dos seus lamentos.

Aqui jaz um corpo sem vida
Preso ao martírio dos amores
Uniu-se a lápide dos esquecidos.

Aqui jaz quem já viveu
Deu tudo pelos amores seus,
Na matéria se desfez,
Fundiu-se à terra sua mãe.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

PRIMAVERA


PRIMAVERA
Gracinda Calado

A primavera já aponta o seu sinal.
As flores estão mais alegres, mais viçosas, mais perfumadas!
O céu é mais azul, as nuvens dançam no firmamento, brancas como algodão.
Nos jardins da cidade as rosas e os bugaris, as avencas, margaridas e papoulas, se abrem anunciando a chegada dessa estação!
Os rios correm mais velozes pela força do vento; as noites são mais frescas e agradáveis.
Os ipês são mais floridos, cobertos pelo amarelo e roxo de suas flores tropicais.
No alto das serras, o verde é mais brilhante e o clima mais ameno.
No coração de cada um de nós mora uma saudade, uma alegria, uma esperança.
À noite a lua vem beijar o mar com seu clarão.
As estrelas piscam como os vaga-lumes clareando a escuridão das matas.
Os caminheiros e viajantes passam nas estradas solitárias, iluminadas de dia pelos raios do sol que se fazem presentes, nos dias de primavera.
Nas grandes e pequenas árvores os pássaros fazem seus ninhos e chocam seus ovinhos enquanto o frio não chega.
De longe se ouve seus gorjeios nas manhãs de primavera.
Os peixes nadam felizes nos rios e nos lagos oferecendo a todos o alimento necessário à vida.
Tão bom que todos os dias fossem de primavera!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

INVERNO NA SERRA


INVERNO NA SERRA
Gracinda Calado

Seis horas da manhã, o sol ainda se esconde atrás das montanhas que fazem o Maciço.

A chuva cai silenciosa, pertinente, encharcando toda a terra.
De longe se avista uma cadeia de ondulações que enchem os olhos da gente.
Tudo se afasta de nós quando a chuva apressa-se em cair mais forte.
As ladeiras são desafiantes aos que passam naqueles lugares lisos como sabão.
As frutas ficam molhadas penduradas nos galhos das árvores esperando o sol.
Tudo desaparece de nossa visão encoberto pela serração do lugar.
Os rios transbordam em agonia louca, devorando tudo que se esconde em suas margens.
A travessia é difícil de fazer e a chuva não para de cair.
Trovões soam como estouro e o eco responde do outro lado da serra.
Raios cortam os céus iluminando tudo por um momento.
Em casa a gente se esconde nos cobertores e a temperatura é de 0°c.
Para amenizar o frio um bom café ou uma xícara de chocolate ainda na cama.
As horas passam. Meio dia ainda tudo escuro, como se o céu fosse todo desabar.
Uma pequena bola de luz aparece tímida e logo escurece novamente.
Nas árvores as borboletas e as cigarras se escondem. Os pássaros esperam a estiagem para sair dos seus ninhos. Nas grutas escuras os morcegos se inquietam para esquentar o frio daquela noite que se aproxima.
Os pássaros esperam a estiagem para sair dos seus ninhos. Nas grutas escuras os morcegos se inquietam para esquentar o frio daquela noite que se aproxima.
Mais uma noite na solidão daquele lugar misterioso e calmo.