domingo, 23 de dezembro de 2007

AO MEU JESUS


AO MEU JESUS!

(João das neves)

Hoje eu vou falar de Ti, meu Senhor!

Chegaste em minha vida, retirando-me da clausura da solidão, porém não consigo lembrar-me do nosso primeiro encontro. Não foi propriamente um encontro, hoje eu sei, pois sinto que sempre estiveste presente, aguardando o meu despertar.

No princípio eu não sabia que tu podias curar as feridas do meu coração e apesar da grande alegria que experimentava com a tua chegada, entristecia-me saber que não poderias ficar comigo. Mas Tu sempre voltavas, fazendo-me compreender estares preparando-me para uma união eterna.

Como exulto, Senhor, a esperar a ventura desse dia!
Agora quando Te vais, já não me aflijo tanto, porque o perfume da Tua presença se demora comigo.
Outra coisa me ensinaste, Senhor: ir ao Teu encontro e não apenas esperar-te no conforto do meu egoísmo.

Comecei a buscar-te no sorriso dos desocupados, na voz dos que apenas Te anunciavam, mas só pude encontrar-te, Senhor, nos olhos dos aflitos, no descontrole dos amedrontados, na impotência dos desvalidos, na frustração dos arrependidos, na minha própria dor, que misturei à dor dos meus irmãos.

Meu Senhor! Hoje sinto necessidade de clamar que te amo, mesmo reconhecendo que o amor que existe em mim é a expansão do Teu amor fecundando a terra toda.

Tu hás de santificar este meu afeto para que eu possa doar-me sem exigência. Tu porás beleza em meus olhos, a fim de que eu possa ver em toda parte os reflexos da Tua grandeza! Amém.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

IMPROVISOS...


IMPROVISOS
Gracinda Calado

Quantas vezes paramos no caminho, sentimos uma sensação que algo ficou para trás?
Algumas vezes deixamos de ouvir um amigo, atender um parente, ajudar alguém.
Outras ocasiões, sentimos que algo poderia ter sido feito e não fizemos por egoísmo, interesse nosso, ou para não beneficiar alguém.
Momentos em que negamos fazer alguma coisa boa, por omissão, comodismo, falta de compromisso com nosso próximo.
São os fantasmas do passado que nos perseguem sempre que olhamos nosso passado.
Quando somos jovens, teimamos em querer saber de tudo , mas não sabemos de nada.
A experiência é quem nos ensina, é quem nos prepara para a vida, embora já seja muito tarde para que tudo seja realizado. Fica então os ensinamentos aos mais jovens, as novas gerações...
Em nosso caminho ficarão apenas rastros, pegadas que ao longo dos anos sumirão na poeira do nosso caminho. Levaremos recordações de momentos, enquanto procuramos compensar tudo que na vida deixamos de fazer por ocasiões precipitadas de improvisos.
Na vida não se improvisa, se vive, ou morre.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

GOSTARIA QUE...


GOSTARIA...
Gracinda Calado

Que todos os momentos de nossas vidas fossem de paz.

Que o amor superasse o ódio entre os povos e nações.

Que as guerras dessem lugar à fraternidade.

Que o calor da manjedoura aquecesse os corações solitários.

Que o mundo se enchesse de luz para iluminar as mentes obscuras.

Que na noite de Natal o Menino-Jesus nascesse em todos os corações humanos...

Que os anjos cantassem para nós uma canção celestial e nossas vozes subissem aos céus como músicas dos deuses.

Que a noite de Natal fosse um grande palco para se presenciar a grande união de Deus com os homens na terra.

Que o mundo inteiro parasse para viver a união do natal.

Que o abraço fosse um laço de amizade eterna.

Que as crianças não pedissem um pedaço de pão para matar sua fome.

Que as lágrimas parassem de escorrer nos rostos magros e sofridos das crianças.

Que as mãos demonstrassem o que diz o coração.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007


LEMBRA-TE DE MIM...
Gracinda Calado

Lembra-te de mim, meu amor!
Nas horas calmas da noite,
Nos momentos de solidão,
De prazer ou de dor.

Cada vez que chorares,
Sou eu que estou a teu lado
Lentamente enxugando
As lágrimas dos teus pesares.

Quando uma flor for beijar,
Sou eu querendo o teu beijo,
Sou a saudade cravada na flor,
Que deixei no teu olhar.

Quando ouvires o som da água
Morna caindo da fonte,
São minhas lágrimas quentes
Rolando em meu rosto cansado.

Lembra-te de mim, meu amor,
Nas horas tristes de solidão,
Que eu estarei em teus sonhos,
Guardando teu corpo e teu coração.

Lembra-te de mim, não me esqueças,
Nunca eu vou te esquecer, nunca.
Somos duas almas gêmeas, iguais,
Até que o mundo desapareça.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

INSPIRAÇÃO DO NATAL


Inspiração do Natal
(Este texto é psicografia: de Francisco Cândido Xavier)
.
Ouves a música do Natal e sentes que o coração se te transforma numa concha de alegrias e lágrimas. É a luz do passado que te retoma o caminho e com ela reencontrarás Jesus na tela das emoções mais íntimas.
“Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra.....”
Diante de cada nota de inolvidável melodia, tornas ao regaço do lar, pelos prodígios da memória, revendo particularmente os que te amaram, com quem não podes trocar, de imediato, o abraço do carinho aconchegante...
Aqui neste recanto do pensamento, escuta as orações maternas que te falaram de Deus; ali, reconstituis a imagem de teu pai, apontando-te no firmamento a seara rutilante dos astros; além regressas ao convívio de professores inesquecíveis que te abençoaram a infância. Mais além ainda, contemplas de novo, afeições diletas que as provas e dificuldades do cotidiano não te arrendaram a alma...
O amor refulge em ponto sempre mais alto, na trilha das horas, e Jesus nos reaparece, a pedir que também nos amemos, a começar daqueles que nos rodeiam.
Não te detenhas!......
Reparte não apenas a mesa farta que te emoldura o júbilo festivo, mas oferece igualmente a ternura que te extravasa do sentimento.
Se alguém te feriu perdoa...e se feriste alguém, cobre o gesto impensado com a luz da humanidade que te fará recuperar o apreço de teus irmãos.
Divide o agasalho que te sobra, ante as necessidades do corpo, no entanto, esparze a compreensão além dos limites de tuas próprias conveniências; quanto se te faças possível, estende auxilio e coragem aos companheiros caídos nas sombras da perturbação ou da culpa.
NATAL É JESUS volvendo a nós, batendo-nos à porta da alma, a fim de que volvamos também a Ele.
Descerremos o coração para que o Senhor nasça na palha singela da nossa esperança de paz e renovação. Enquanto a vida imortal brilha sobre nós, à feição da estrela divina, dentro da noite inesquecível, seja cada um de nós, de uns para com os outros, no Natal e em todos os dias, a presença do amor e o amparo da bênção.

MEIMEI

domingo, 16 de dezembro de 2007


ARVORE DE NATAL
Gracinda Calado

Hoje tentei armar minha árvore de Natal.
Nela eu coloquei as lembranças dos meus entes queridos, das pessoas que me foram mais caras.
Coloquei minha família, meus amigos, os amores da minha vida, minhas saudades, minhas decepções, minhas tristezas, meus dissabores...
Agora vejo que não há mais lugar para as ingratidões.

No topo coloquei uma luz e nela quero que brilhe o meu amor pela humanidade inteira.
Nos seus galhos, atos de solidariedade, fraternidade, doação e caridade pelos que sofrem por um pedaço de pão.

Ao meu irmão mais sofrido, sem teto, sem roupa, sem chão, abrirei meu coração para recebê-lo e juntos do lado forte da árvore, seguraremos o sino da felicidade que irá soar no Natal.

Quisera eu colocar todos vocês, e enfeitar como rosas todos os espaços vazios da minha árvore.

Por ultimo vou colocar uma estrela que irá brilhar para sempre e em cada noite de natal, ela resplandecerá mostrando ao mundo, que é dia de comemorar o aniversário do menino mais sábio do mundo, que se fez homem para nos salvar e se fez Deus para viver eternamente junto do pai.
Feliz natal !!!!!!!!!

sábado, 15 de dezembro de 2007

LIMPEZA NA ALMA


Limpeza na alma
Gracinda Calado

Hoje eu quero fazer uma limpeza na minha alma.
Tirar tudo que me impede de ser feliz.

Abraçarei mais forte aqueles que eu desprezo.

Afastarei para longe o egoísmo e repartirei com meus irmãos o meu amor.

Hoje falarei de esperanças, plantando em meu coração, a árvore do fruto do bem.
Distribuirei aos meus amigos, o carinho que muitas vezes eu os neguei.

Rasgarei as páginas tristes e negras da minha história, para que elas não emoldurem o meu passado tristonho.

Dançarei ao som do vento uma musica suave e darei graças pela vida que Deus me deu.

Tomarei meus filhos no colo e deixarei que eles adormeçam ao embalo do meu coração.

Aos meus inimigos desejarei felicidades e muitos anos de vida.

A todos que me magoaram rezarei por eles e agradecerei por eles terem feito parte da minha vida.

Aos que me humilharam, dar-lhes-ei as mãos para que sintam o calor do meu afeto.

Aos meus amigos dir-lhes-ei que foi muito bom tê-los como verdadeiros amigos e que a todos eu os amo de todo meu coração.

Aos que me viram chorar um dia e ouviram minhas mágoas, peço-lhes desculpas pelo jeito triste de desabafar minhas dores.

Aos que me amam de verdade repetirei o meu abraço e o meu laço de amizade eterna.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A BUSCA E O SONHO




A Busca e o sonho!

Gracinda Calado

Busco-te na imensidão do universo,
Teu nome que não sei qual é.
A noite é densa e a voz do vento vem chamar-te.

Teu nome é doce como o mel,
E nesta noite calma, e apaixonada,
Te procuro sem reconhecer-te.

Ouço tua voz no vento que cobre meus cabelos.
O mar responde com suas ondas plácidas,
És do universo, ó vibração divina!

Não sei teu nome, de rei ou de poeta?

Busco-te na noite dos milagres,
Nos sonhos dos palácios encantados,
No cântico dos anjos, nas noites calmas,
Nos perfumes das flores mais bonitas.

Busco-te nos encantos das primaveras,
Nas madrugadas frias e perdidas,
No cantar dos pássaros e dos rouxinóis,
Nas quimeras e na luz das estrelas e da lua.

Busco-te e não te encontrei ainda,
Talvez não viverás para mim,
Sei que não és daqui, és de outros mares.
Nunca se viu em tempo algum, amor assim!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A FLOR DO CACTUS




A FLOR DO CACTUS
Gracinda Calado

Quem disse que a rosa é a mais bela?
A flor do cactus entre todas as flores
É a mais bonita a mais faceira e mais singela.

Nasce entre espinhos, sem medo de morrer,
Sua beleza encanta até quem lhe despreza,
Respira altaneira com vontade de crescer.

Nunca se viu assim tão invejável flor,
Com ares de princesa ou de rainha,
A flor do cactus, é a flor do bem e do amor.

Na sua história de perfeição real,
Outras existem que sempre invejam,
Sua cor, sua beleza, seu perfume natural.

Flor do asfalto, das pedras e das caatingas,
O seu destino é enfeitar e perfumar
Todos os espinhos que lhe transpassam
Sem correr sangue, nem lágrima a derramar.

Eu queria ser como a flor do cactus,
Em vez de chorar a dor de espinhos,
Perfuma as lágrimas de amores.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O TREM DA MINHA VIDA




O trem da minha vida
Gracinda Calado

O trem vai subindo o monte e com ele o destino de dezenas de pessoas.
Corta estradas, passa rios e riachos, sobe ladeiras e desliza nos vales verdes das colinas.
Dentro dele meu coração adormece lembrando o tempo das primaveras.

Pela janela, passa boi, passa boiada, passa lagos e rios.
Os campos ficam mais verdes, ficam amarelos e às vezes ficam queimados.
A natureza vai mostrando sua cara nos arvoredos que passam ligeiros e nas copas dos coqueiros, que teimam em subir aos céus.

O cheiro de mato no ar, deixa meu corpo todo queimar de saudades do tempo da minha infância.
Na janela o vento passa ligeiro e assanha meus cabelos, como fazia antigamente.
No balanço do trem, divago e canto uma canção de amor, como se quisesse o tempo parar.

Meus olhos choram as lágrimas que eu deixei de chorar, quando me lembro de tua imagem linda. As lembranças da mocidade levam-me ao passado distante, arrasta ilusões e mata esperanças em meu coração.

Lá vai o trem da minha vida levando o que sobrou de mim.
Este trem tem tristeza, este trem tem saudades e decepções, fantasias guardadas e tristes recordações.
O trem da minha vida não tem volta, segue seu curso, segue feliz!

O AMOR NOS CONSOLA


O amor nos consola

Gracinda Calado

Do amor não guardo rancor,
Se um dia se alegra, o outro chora.
Do amor tudo se espera.
Não se julga ou se despreza,

Os momentos bons são passageiros
As horas de prazer são devaneios,
Tudo se transforma com o amor,
Até o relógio muda, os minutos são ligeiros.

O amor é preconceito de almas,
De sexo, de corpo e de matéria.
Se o amor fosse verdadeiro,
Respeitado, os amantes não sofriam.
.
Sofrimento de amor, sangra feridas,
Chora lágrimas de sangue,
Fere o peito com punhal,
Treme o corpo em desatino,

Do amor não guardo rancor,
Nem lembranças de dor,
Guardo somente as saudades,
De tudo de bom que passou!

O amor nos consola,
Nos eleva para Deus,
Quando sabemos amar
A quem nos ama também.

domingo, 9 de dezembro de 2007

AMANHECER




AMANHECER

Gracinda Calado

Amanhece na cidade!
O sol derrama sobre as casas os seus primeiros raios de luz.
Sobre os telhados uma cor laranja feito brasas, se avista ao longe, enquanto a cidade ainda dorme e aos poucos vai se espreguiçando para cumprir o ritual do dia.
O clarão da manhã rompe o mistério da noite e transforma a cidade inteira em luz.

O fantástico espetáculo da aurora vai deslizando sobre os montes, emoldurados pelas flores das serranias, em despedida da noite que passou.
Pela janela aberta docemente, vejo pessoas que passam seguindo seus destinos, passos lentos, compassados, como quem não tem pressa de viver.

Na minha rua, flores se abrem nos jardins e perfumam o ar.
Na moldura das cores, dezenas de borboletas livram-se de seus casulos e fogem fartas de desejos em busca de beijos.

O sol, astro rei, traz vida e transforma todas as criaturas.
Os pássaros cantam nos galhos das árvores anunciando a felicidade de viver em comunhão com o universo.

Olho atentamente a paisagem da rua, enquanto meu corpo preguiçosamente sente a saudade da noite que passou e prenuncio o vazio do dia que virá pra mim.
As belezas desta manhã ficarão na memória e nas recordações da minha história.

As saudades do passado me acompanham a toda hora e a tua imagem me persegue ainda, Mergulhadas na alegria daquela manhã de verão.
Pessoas vão e vêem pelas ruas da cidade, rumo ao trabalho cotidiano e em mim as saudades de um amor que se findou.

sábado, 8 de dezembro de 2007


SUA CANÇÃO

Gracinda Calado

Ouço uma música distante,
Lembrei-me de você agora,
E o tango sobe em minha mente
Vejo você a venerar a história.

Vejo seu vulto ímpar e elegante
A desfilar pelos salões de outrora,
Cadenciado e firme na canção
E no lamento da sua vitrola.

Passos pra lá, passos pra cá,
E os pares dançam no salão,
Rodopiando alegres ou tristes,
O conto de amor numa canção.

A sua história passa e vai,
Se espalhar na música e nos salões,
E os personagens se misturam
Em velhas e doces recordações.

Recordações de amor e de amizade,
Lembranças de tudo o que era bom;
Paixões fortes, só saudades,
Do tempo da nossa mocidade.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CARTA A MINHA IRMÃ DADÁ


CARTA A MINHA IRMÃ DADÁ
( Gracinda Calado )

Hoje é o dia de teu aniversário!
Amanhã talvez seja um dia como outro qualquer.
Só quero te dizer que tenho uma admiração muito especial por ti.
Quando tu nasceste, eu não entendia ainda o que era o mundo, mas sei que ao te ver pela primeira vez gostei de ti.
Tu eras tão pequena, vermelhinha, cabeluda e moreninha. Meu coração pulava de alegria e eu não sabia o porquê.
Todas as noites eu passava em frente ao teu bercinho e te olhava com muita admiração.Tinha apenas seis anos mas me lembro muito bem.
Quando foste estudar pela primeira vez fui encarregada de te levar e trazer do colégio, no mesmo horário de minhas aulas.Aí eu já estava com 13 anos.
O que mais me atormentava era que tu não querias ficar na classe com as tuas coleguinhas, pois choravas bastante e eu não sabia o que fazer, te levava para minha classe e logo tu te calavas. Foram muitos dias de sofrimento.
Finalmente conseguiste ficar, um dia e depois logo foste acostumando.
Gostaria de te dizer que és feliz por que és uma pessoa muito boa, e que gostas de ajudar os pobres e os mais carentes.
Tens um coração de ouro, como nossa mãe que ficava feliz em fazer uma caridade.
Não foi à toa que recebeste o nome de Maria das Graças.
Nesta data quero desejar-te uma vida longa, cheia de saúde e muita paz junto ao carinho de teu querido Salviano e teus filhos e neto, que eu sei que são a tua vida.
Recebe minha irmã o carinho e o abraço de tua irmã e de meus filhos e netos, que te adoram. Tua irmã: Gracinda Calado.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A LUA AZUL


A LUA AZUL
Gracinda Calado


Muitas vezes quando crianças olhávamos a lua, deitados no chão, na grama do jardim.
Como era lindo contar estrelas e observar suas cores, piscando, piscando.
A magia daquela noite era a lua quando saia no horizonte clareando todo céu!

A natureza festejava aquela maravilha de luar iluminando a noite escura.
Nosso olhar mergulhado naquele mar de luz, tinha tudo de mistério e de magia.
A lua tinha a cor azul, com oscilações degradês em pontos luminosos.

Pequeninas estrelas brilhavam como vaga- lumes na floresta.
A lua azul branqueava as areias como espelhos transparentes, naquela noite majestosa!
A nossa alma se iluminava também.

Parecia que um raio daquela lua azul se soltava sobre nós enchendo-nos de graça plena.
Ficávamos assim muitas horas, contando estrelas e com vontade de conhecê-las.

O que nos separava delas era a grande distancia, porém sua luz azul banhava-nos de alegria.
Quando o sono chegava sonhávamos com estrelas e com a lua azul.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

AÇÃO DE GRAÇAS


AÇÃO DE GRAÇAS!
( Autor desconhecido)


É maravilhoso Senhor ter braços perfeitos
Quando há tantos mutilados!
Meus olhos perfeitos, quando há tantos sem luz.
Minha voz, que canta, quando tantas emudeceram...
Minhas mãos que trabalham, quando tantas mendigam...

É maravilhoso Senhor!
Voltar para casa quando tantos não têm para onde ir...
É maravilhoso amar, viver, sorrir, sonhar,
Quando há tantos que choram, odeiam, revolvem-se em pesadelos,
Morrem antes de nascer...

É maravilhoso Senhor!
Ter um Deus para crer, quando há tantos que não têm
O consolo de uma criança...
É maravilhoso Senhor, sobretudo, ter tão pouco a pedir,
E tanto a agradecer!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

SEUS OLHOS


Por Gracinda Calado


Seus olhos são duas pedras preciosas,
Porém não sei qual é a cor,
Desses seus olhos cheios de amor!

Seus olhos são dois lagos selvagens,
Em que todas as manhãs,
Refletem a minha imagem.

Vejo seus olhos tristes, saudosos,
Enquanto eu olho demoradamente,
A solidão que sai do seu interior.

Olhos verdes como o mar,
Em dias de primaveras,
Ah, quem me dera sonhar!

Olhos azuis da cor do céu,
Brilham como estrelas nuas,
Em noites de luar.

Olhos negros, traiçoeiros,
Como as noites escuras,
Como pedras de carvão.

Qual é a cor dos seus olhos?
Não sei qual é a cor,
São da cor do seu sorriso,
Brilhantes, ofuscantes, sensuais,
Ou da cor do seu amor?


PÁSSARO FERIDO
( Gracinda Calado)


Pássaro ferido cantador,
Não cantas mais teu canto alegre,
Não cantas mais uma canção de amor...
Haverás um dia de cantar,
E o teu canto será verdadeiro,
Pássaro ferido, prisioneiro.

Prisioneiro de tuas paixões,
Já não se ouve os teus gorjeios,
Já não se ouve mais tuas canções.

Sou como um pássaro ferido:
Proibido de voar,
Dentro da minha gaiola
Nunca deixei de cantar.---------------------------------------------------------

PASSEIO NO INFINITO


PASSEIO NO INFINITO
( Gracinda Calado)

Vem!
Vamos andar por aí?
Vamos voar bem alto,
Vamos subir tal um balão no espaço?

Vem!
Vamos correr pelos campos verdes...
Cortar os céus, como pássaros
Deslizar no infinito dos sonhos...
Voar na imensidão do espaço?

Vem!
Vamos amar por aí?
Vamos sonhar bem alto,
Vamos subir no ápice do amor?

Vem!
Vamos escalar vales, montes,
Cortar rios e florestas,
Nadar nos lagos e como peixes
Deslizar nas águas límpidas do olhar?

Vem!
Vamos dizer a todos por aí...
Que o nosso amor foi uma verdade
Que foi grande e bonito!
Hoje transformou-se em saudade.

sábado, 1 de dezembro de 2007

QUERES SABER POR ONDE ANDO...


x QUERES SABER POR ONDE ANDO...
Gracinda Calado


Ando por aí, seguindo o vento,
Ando na noite dos anjos azuis,
Que pintam o céu com as estrelas.
Ando pelos vales verdejantes
Dos dias esquecidos de sol.

Ando a me encontrar com as pessoas,
As mal amadas que precisam de carinho,
A salvar almas desesperadas,
Nas noites escuras traiçoeiras,
Sem esperança de viver.

Ando no céu dos desvalidos,
Esquecidos, sem teto, sem chão,
Sem nada, sem amor, sem pão.
Na praça triste dos que na vida ,
Só sentiram dor e solidão.